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Após 16 dias no mar, ONG que resgatou migrantes no Mediterrâneo declara 'situação de necessidade'

Navio da ONG espanhola Proactiva Open Arms aguarda permissão para atracar na Itália há 16 dias; 134 pessoas estão a bordo.

17/08/2019 por Por Agência EFE

A ONG Proactiva Open Arms declarou neste sábado (17) que seu navio humanitário está em "estado de necessidade" e que, depois de 16 dias sem poder desembarcar os migrantes resgatados no mar Mediterrâneo, não pode mais garantir a segurança das 134 pessoas que estão a bordo.

"Depois de 16 dias à espera de um porto seguro para desembarcar, de seis evacuações médicas e de ter informado sobre a nossa situação às autoridades, sem que tenhamos obtido nenhuma resposta, estamos em situação de necessidade e não podemos mais garantir a segurança das 134 pessoas a bordo", informou uma porta-voz da ONG espanhola.
O fundador da Open Arms, Óscar Camps, publicou um vídeo em uma rede social na qual classifica de "injustificável" a posição do governo italiano de não permitir o desembarque do navio espanhol em solo europeu.

O navio Open Arms está proximo ao litoral da ilha de Lampedusa, no sul da Itália, há dois dias, sem autorização para desembarcar os migrantes, enquanto a tripulação denuncia a deterioração da situação a bordo.

Enquanto isso, a Procuradoria da cidade de Agrigento (na ilha italiana da Sicília), abriu na sexta-feira (16) uma investigação pelo suposto crime de sequestro de pessoas e abuso de autoridade – não dirigido contra ninguém concretamente – em relação ao estado do navio.

O objetivo é esclarecer por que os 134 migrantes a bordo do Open Arms continuam bloqueados perto do litoral de Lampedusa, mesmo após a Guarda Litorânea italiana garantir que "não vê impedimentos" para o desembarque dessas pessoas.

Segundo informações deste sábado, a Procuradoria de Agrigento está analisando todos os documentos relacionados ao Open Arms, inclusive uma comunicação enviada pela Guarda Litorânea ao Ministério do Interior na qual pede "urgentemente" uma solução e alega que "não há impedimentos de nenhum tipo para o desembarque".

"Nas próximas horas, é possível que possamos proceder a uma inspeção do Open Arms", afirmou a Procuradoria.

O caso colocou a crise de refugiados no Mediterrâneo de volta ao noticiário mundial. O ator americano Richard Gere, que estava de férias em Roma, viajou até Lampedusa e pediu para embarcar no navio para ajudar a levar alívio aos migrantes e fazer campanha pelo desembarque seguro deles em solo europeu (assista no vídeo abaixo).

Resposta do governo italiano
O líder da extrema-direita e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, segue firme com a postura de impedir o desembarque apesar dos vários pedidos.

"Dia 16. O mundo é testemunha do pesadelo vivido pelas 134 pessoas que aguentam a espera. Só a falta de vontade dos despachos que decidem os separa de um porto seguro", escreveu a ONG espanhola em uma rede social.

Resposta do governo italiano
O líder da extrema-direita e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, segue firme com a postura de impedir o desembarque apesar dos vários pedidos.

"Dia 16. O mundo é testemunha do pesadelo vivido pelas 134 pessoas que aguentam a espera. Só a falta de vontade dos despachos que decidem os separa de um porto seguro", escreveu a ONG espanhola em uma rede social.

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, anunciou no domingo que os governos de Espanha, Alemanha, França, Luxemburgo, Portugal e Romênia já transmitiram a disponibilidade para receber uma parte dos resgatados, embora ainda não tenham formalizado publicamente nenhum acordo de realocação.


Fonte: https://g1.globo.com

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