Tensão econômica

Risco de recessão global eleva tensão nos mercados

Nos EUA, um fato chamou a atenção: o juro do título de dez anos, emitido pelo tesouro americano, caiu abaixo do papel de dois anos durante o dia.

15/08/2019 por André Mizutani e Gabriel Roca

Dados negativos sobre o desempenho das economias da Alemanha, a maior da Europa, e da China, a segunda maior do mundo, alimentaram ontem temores de uma recessão global, provocando nova onda de nervosismo nos mercados. Bolsas de valores sofreram fortes perdas, moedas dos países emergentes perderam valor diante do dólar e taxas de juros recuaram face à expectativa de que as maiores economias adotem estímulos fiscais para reanimar a atividade.

Nos EUA, um fato chamou a atenção: o juro do título de dez anos, emitido pelo tesouro americano, caiu abaixo do papel de dois anos durante o dia. No fim, os dois fecharam no mesmo nível (ver gráfico). Trata-se de uma anomalia, uma vez que, por embutir risco mais alto, títulos de prazos mais longos oferecem remuneração maior que os de curto prazo.

Conhecido como “inversão da curva de juros”, o fenômeno costuma indicar que a economia caminha para a recessão. Precedeu as últimas sete recessões dos EUA e, por causa de seu peso, causou turbulência no restante do mundo. A inversão não ocorria desde 2007, quando a economia americana foi o pivô da crise financeira mundial mais grave desde a Grande Depressão, em 1929.

Ontem, as principais bolsas sofreram quedas significativas — a de Frankfurt caiu 2,19%, a de Londres, 1,42%, a de Nova York, 3,05%, e a Nasdaq, 3,02%. Em meio à tensão em Wall Street, o presidente Donald Trump voltou a atacar o Fed, o banco central americano. Por meio do Twitter, chamou o presidente do Fed, Jerome Powell, de “sem noção” (em inglês, “clueless”). Disse que “a China não é o nosso problema [...] nosso problema é o Fed. O “efeito dominó” atingiu mercados emergentes como o Brasil porque, inseguros, investidores buscam ativos que rendam menos, mas ofereçam segurança. O Ibovespa caiu 2,94%, para 100.258 pontos.

O Produto Interno Bruto da Alemanha caiu 0,1% no segundo trimestre e analistas projetam crescimento negativo também no terceiro trimestre, o que caracterizaria um quadro de recessão técnica. A contração está sendo atribuída à guerra comercial entre Estados Unidos e China, que, além de espalhar temores mundo afora, vem derrubando as importações do país asiático, terceiro maior mercado dos alemães.


Fonte: pressreader.com - Valor Econômico

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