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Derrota em prévias abre crise interna no governo Macri

Um setor pressiona para mudanças no comando de campanha e aproximação com oposição e outro defende discurso do medo

14/08/2019 por Janaína Figueiredo

O revés eleitoral sofrido pelo presidente argentino, Mauricio Macri, nas primárias de domingo passado instalou em seu governo um debate entre setores que defendem mudanças na campanha e outros que consideram que deve ser mantido, por exemplo, o discurso do medo a um retorno do kirchnerismo ao poder. Com os mercados ainda alterados, alguns ministros insistem em concentrar na gestão e tentar uma aproximação com setores opositores para dar tranquilidade a investidores e à sociedade em geral.

Depois de bater 61 pesos na véspera, ontem o dólar fechou cotado a 58 pesos, bem acima dos 46 da última sexta-feira. Os mercados continuam nervosos e, segundo analistas locais ouvidos pelo GLOBO, a atitude do presidente e da ala que se nega a fazer mudanças na campanha não contribui para levar calma a investidores, empresários e à população em geral.

— Até o momento se impôs a posição dos que não querem fazer alterações, na minha opinião, uma posição incorreta — opinou a analista Graciela Romer, diretora da Romer e Associados.

Segundo ela, “o resultado das primárias (47% para Fernández e 32% para Macri) é consequência da percepção social de que o custo do ajuste econômico foi distribuído injustamente”.

— A derrota acentuou as diferenças dentro do governo entre os que sempre quiseram abrir a coalizão e os que não— afirmou Graciela, lembrando que a ala mais poderosa sempre negou-se a formar alianças com o peronismo.

Para a analista, o voto de castigo ao presidente veio principalmente das classes média e média baixa, que não perdoaram Macri por medidas como o tarifaço dos serviços públicos, o aumento da pobreza e o fracasso da política de combate à inflação. Paralelamente, lembrou Graciela, “o peronismo, seus governadores e seus prefeitos perceberam esta realidade, e isso contribuiu para a união do movimento”.

Artigo: Os perigos de um Macri alienado, que acredita que as pessoas erraram ao votar

Segundo fontes do governo, o chefe de Estado não admite mexer no seu comando de campanha, liderado pelo chefe de Gabinete, Marcos Peña, e pelo consultor equatoriano Jaime Durán Barba. No caso de Durán Barba, o equatoriano arma as campanhas de Macri desde 2005, quando o presidente foi eleito deputado pela primeira vez. Já o chefe de Gabinete sempre foi um dos homens de maior confiança do presidente, mas hoje é considerado o principal responsável pela derrota. (Janaína Figueiredo)


Fonte: https://oglobo.globo.com

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