EUA, e o Banco Central (BC) baixaram taxas

Economia ganha novo alento de bancos centrais

O Fed reduziu o juro em 0,25 ponto percentual, para a faixa de variação entre 2% e 2,25% ao ano.

01/08/2019 por Alex Ribeiro, Estevão Taiar e Lucinda Pinto

Em dia de decisões importantes para o desempenho das economias americana e brasileira nos próximos meses, o Federal Reserve (Fed), a autoridade monetária dos EUA, e o Banco Central (BC) baixaram ontem as taxas básicas de juros, que servem de referência para os mercados dos dois países — no caso do Fed, também para o restante do mundo. Em suas justificativas, as duas instituições alegaram inflação baixa e necessidade de estímulo adicional à atividade econômica.

O Fed reduziu o juro em 0,25 ponto percentual, para a faixa de variação entre 2% e 2,25% ao ano. Foi o primeiro corte desde 2008, quando a economia americana se tornou o epicentro da mais grave crise mundial desde 1929. No Brasil, o BC reduziu a taxa Selic de 6,5% para 6% ao ano, novo recorde de baixa, e sinalizou em sua comunicação que fará, na próxima reunião, pelo menos mais um corte, entendido pelo mercado como de 0,5 ponto percentual.

Em seu comunicado, o Fed citou “pressões inflacionárias neutras” e “implicações dos desdobramentos globais” — uma referência aos efeitos negativos da guerra comercial entre China e EUA — como razões para cortar os juros. Embora a maior economia do mundo siga avançando em bom ritmo, há sinais de desaceleração dos investimentos.

A decisão do Fed era esperada, mas durante entrevista, o presidente da instituição, Jerome Powell, emitiu sinais dúbios sobre os próximos passos. Até ontem, a expectativa criada por Powell era a de que o Fed iniciaria novo ciclo de afrouxamento monetário. Ele disse, porém, que a redução foi apenas um “ajuste de meio de ciclo” e não o início de um longo período de cortes. Depois, ressaltou que, em outras ocasiões, o Fed fez pequenos ajustes nos juros, sugerindo que a expectativa do mercado de dois a três cortes até dezembro não seria irracional.

Essa dubiedade derrubou os mercados, fazendo com que a bolsa de Nova York recuasse 1,23% e provocasse efeito dominó nos principais mercados acionários pelo mundo. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 1,09%, para 101.812 pontos. Ao contrário do que ocorre quando os juros caem nos EUA, o dólar valorizou-se diante das outras moedas. No mercado brasileiro, o dólar teve alta de 0,73%, para R$ 3,81.

Os objetivos dos dois bancos centrais são semelhantes. No caso americano, trata-se de evitar uma desaceleração acentuada da economia. No brasileiro, de retomar o crescimento.


Fonte: pressreader.com - Valor Econômico

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