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Odisseia azulina: do descaso à iniciativa popular, torcida e clube se unem para recuperar o Baenão

GloboEsporte.com faz apanhado geral o processo de reabertura do estádio, que acontece neste sábado. Presidente estima gasto de R$ 1,8 mi para recolocar a casa em condições de jogo

12/07/2019 por Por Pedro Cruz — Belém, PA

Cinco anos, dois meses e 12 dias. O Estádio Evandro Almeida – ou Baenão – reabre neste sábado depois de um longo período de angústia, esperança e nostalgia para os torcedores do Remo. A equipe enfrenta o Luverdense, pela 12ª rodada da Série C, a partir das 15h.

Em 2014 um setor inteiro da praça esportiva foi demolido com a meta de transformar o tradicional campo azulino em uma arena particular moderna, a principal da região àquela altura. O sonho virou pesadelo e a volta para casa, durante um tempo, algo distante no horizonte.

Mas a espera acabou e, mesmo que seja em condições mínimas para a realização de uma partida de futebol, o momento é histórico para o Mais Querido e de muita euforia para o maior ativo do clube: seu torcedor.

Por que fechou?

No dia 1ª de maio de 2014 o Remo subiu ao gramado do Baenão pela última vez em uma partida oficial, pelo Campeonato Paraense – depois até houve um amistoso contra a seleção da Etiópia no dia 10 de agosto daquele ano, vencido pelo Leão por 1 a 0 durante folga na Série D. De lá para cá deveria ter sido executada uma obra faraônica prometida pelo então presidente Zeca Pirão, em parceria com uma cervejaria multinacional.

O projeto do arquiteto Aurélio Meira previa troca do gramado, novo sistema de iluminação, instalação de alambrados de acrílico e a construção de novos camarotes. A ala nova seria feita no lugar do antigo setor de cadeira, na lateral da Travessa das Mercês, que foi totalmente demolido. Lá passaria a ter:

Um pavimento térreo de 309 novas cadeiras VIPs, bar com 30 m², lojas, “lounge”, sala multiuso e novos banheiros;

No piso superior, mais 1.563 cadeiras VIPs, 18 lugares para cadeirantes e 12 para obesos;
Em um terceiro andar, três tipos de camarotes: de 7.4 m² (26 unidades), 15.2 m² (duas unidades) e de 30.8 m² (duas unidades) – que chegaram a ser vendidos, como forma de viabilizar o início das obras.
Apenas saiu do papel a demolição do setor, a troca do gramado e a substituição dos alambrados metálicos por placas de acrílico, que estavam fora do padrão adequado e posteriormente tiveram que ser trocadas por chapas mais grossas.

A praça esportiva havia perdido seu sistema de iluminação e, em tese, só poderia receber partidas diurnas e vespertinas. Porém, o tempo foi passando, outros setores do estádio foram se deteriorando e a casa remista se transformou apenas em um local para treinamentos ou jogos das categorias de base, com público bastante limitado.

Torcida toma a frente da obra

Enquanto isso, fora das quatro linhas o Remo viveu momentos de intensa instabilidade política. Foram três renúncias de presidentes (Sérgio Cabeça, Pedro Minowa e Henrique Custódio) e um mandato “tampão” (um ano) de André Cavalcante. Ou seja, de 2013 para cá apenas Manoel Ribeiro (2017/2018) conseguiu concluir os dois anos de mandato que garante o estatuto azulino. Nesse período apenas ações tímidas foram tocadas para recuperar o estádio, como, por exemplo, a venda de lajotas durante a gestão Cavalcante.

A turbulência nos bastidores e consequentemente o descaso das gestões com o Baenão fez com que um grupo de torcedores decidisse agir de maneira independente.

Em 2017 foi criado do projeto “Retorno do Rei ao Baenão”, que consistiu em uma reforma básica e estrutural da praça esportiva dividida em dez etapas, para que voltasse a receber jogos oficiais. Todo o dinheiro arrecadado foi proveniente de doações dos próprios torcedores, que acabou sendo complementado com a ajuda da atual diretoria, que assumiu o Leão em novembro passado.

Estrutura mínima e novas obras no futuro
De acordo com o presidente Fábio Bentes, a reforma para a reabertura do estádio nas condições atuais custaram aproximadamente R$ 1,8 mi – sendo R$ 1,1 mi da atual gestão e de R$ 600 mil a R$ 700 mil do “Retorno do Rei”.

A renda do projeto é estimada já que ele foi tocado, em parte, pela doação de materiais e serviços, não apenas dinheiro. Já o montante de responsabilidade do clube foi possível por meio da parceria com uma cervejaria local, venda da camisa “Leão de Pedra” e, principalmente, da antecipação da venda de ingressos para o jogo deste sábado, da reabertura, que girou em torno de R$ 800 mil.

A reforma atual do Evandro Almeida inclui reforço das vigas das arquibancadas; reforma dos vestiários, novos banheiros, instalação de estrutura móvel na ala da Travessa das Mercês, novos hidrantes, compra de extintores, revitalização do gramado e a aquisição de novos alambrados de acrílico, além da instalação de catracas e adequação às normas de acessibilidade e segurança, entre outros pormenores.

Assim sendo, a capacidade atual do Baenão é de quase 14 mil pessoas. Os confrontos no local ainda só podem ser realizados no período da manhã e no início da tarde, já que ainda não conta com iluminação. O projeto para que as partidas voltem a acontecer à noite deve iniciar somente em 2020, com investimento próximo a R$ 700 mil.


Fonte: https://globoesporte.globo.com

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