Irmãos culpados já se entregaram

Fruto Proibido: Polícia, MP e Procon orientam consumidores que tiveram aparelhos apreendidos

Apreensão de Iphones terminou na prisão dos culpados que se entregaram hoje.

10/07/2019 por Maria Maia*

A operação Fruto Proibido, que culminou com a prisão de empresários envolvidos na comercialização ilegal de aparelhos telefônicos e outros equipamentos eletrônicos, trouxe dor de cabeça também para quem não estava envolvido no esquema criminoso, como é o caso das pessoas que utilizaram apenas os serviços de assistência técnica dos alvos da operação.

Uma universitária, que preferiu não ter a identidade revelada, contou em entrevista à reportagem do Cada Minuto que o sentimento atual é de frustração e insatisfação.

“Coloquei há alguns meses o meu telefone na loja e ele sempre voltava com o mesmo defeito, sendo assim deixei lá novamente para que o dano fosse reparado, e agora fiquei sabendo que talvez não consiga recuperá-lo, pois os donos foram presos, por estarem envolvidos em vendas ilegais de Iphone”, contou a estudante.

A universitária diz ainda que não pode ser lesada por um erro que não foi seu. Ela conta que já tentou contatar a empresa por diversos meios e todos eles são sem sucesso.

“Eu não comprei o aparelho na empresa envolvida na fraude, eu só botei lá para consertar, e agora nem conserto, nem nada. Desde que fiquei sabendo das apreensões eu tentei contato com a empresa, o número do telefone fixo não existe mais, o celular só dá desligado e a página oficial da loja no Instagram não está mais ativa”, desabafou.

Questionada sobre o procedimento a ser realizado, pelos clientes que tiveram danos pelas empresas após a prisão dos empresários envolvidos nas vendas clandestinas, a assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE-AL) disse que, os promotores explicaram que, lamentavelmente, reparar os danos aos clientes foge de atribuição do Ministério Público.

Conforme a assessoria do MPE, as pessoas lesadas deverão entrar com ação cível indenizatória contra a empresa e/ou pessoa física proprietária da loja.

Segundo o delegado Thiago Prado, da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), que participou da operação, os clientes devem procurar os responsáveis pelo estabelecimento ou seus advogados para serem restituídos na posse dos objetos.

O diretor-executivo do Procon Maceió, Leandro Almeida, disse que as pessoas que eventualmente tiveram equipamentos  apreendidos, que estavam nas lojas que foram parte dessa operação podem e devem ir à delegacia com a nota fiscal do aparelho, além da ordem de serviço que comprove que o material foi deixado no estabelecimento e assim solicitar a devolução.

Leandro reforça que é preciso comprovar a propriedade e posse do bem. Já as pessoas que adquiriram com esses fornecedores, aparelhos de telefone e outros equipamentos sem nota fiscal, elas não terão direito, uma vez que é sabido que o consumidor deve sempre comprar e adquirir aparelhos e produtos com nota fiscal e procedência. Caso contrário, além do consumidor perder e não ter qualquer garantia sobre o produto que está sendo adquirido, ele pode estar colaborando com uma possível interceptação de produtos frios ou roubados.

Operação

A operação Fruto Proibido foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial em Sonegação Fiscal e aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Conexos (Gaesf) do Ministério Público Estadual de Alagoas (MP-AL) e teve início nesta terça-feira, dia 09, em Alagoas.

As investigações começaram há cerca de um ano. A quadrilha se dividia entre tarefas de aquisição irregular dos aparelhos, venda por meio da rede social Instagram sem a devida autorização da fornecedora Apple, armazenamento clandestino dos celulares, venda desses equipamentos sem nota fiscal, liberação ilícita de mercadoria quando esta era apreendida e lavagem do dinheiro oriundo desse comércio criminoso.

Fruto Proibido

O nome da operação, Fruto Proibido, faz alusão à fruta que é o símbolo da Apple: a maçã. Já a palavra “proibido” remete ao fato de a organização criminosa vender os aparelhos sem nota fiscal, ou seja, de forma ilegal, deixando de recolher os devidos impostos ao estado de Alagoas.

Durante a ação foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, sendo dezoito mandados de prisão e 32 de busca e apreensão.

Mercadoria

Toda a mercadoria apreendida ficará sob a custódia da Secretaria da Fazenda (Sefaz). Já os celulares, notebooks e equipamentos dos suspeitos, apreendidos na operação, serão encaminhados à Perícia Oficial.

A documentação recolhida será encaminhada para a sede do Gaesf para subsidiar a continuação das investigações.

Prisão

Em Alagoas, haviam mandados de prisão contra Francisco Olímpio da Rocha, Hugo Acioly de Melo, Pablo Dantas de Queiroz, Rodolfo Vilela Nunes, Flávio Sarmento de Morais, Rosivânia Martins da Silva, José Dênis de Melo Bastos, Ana Paula da Rocha Dantas, Paulo Sérgio de Queiroz Silva, Taynnara Lucena Gama, Eduardo Jorge Simões Pitta Júnior, , Igor Acioly de Melo, Eduardo André Ferreira e Maria Clara Barros de Melo. Daiane Martins da Silva e Amerison Souza da Silva Júnior seguem foragidos. Já em São Paulo foi preso João Rogério Alves de Melo e, em Goiás, Pablo Henrique Costa.

*Estagiária sob supervisão da editoria


Fonte: cadaminuto.com.br

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