Corporação responsabiliza pais

CRIANÇAS CARREGAM ARMAS FALSAS EM DESFILE EM SÃO PAULO

Criança com simulacro de arma no evento da Revolução Constitucionalista de 1932

10/07/2019 por Danilo Verpa e Carolina Moraes

Criança com uniforme da PM paulista manuseia arma falsa durante o desfile de 9 de Julho em São Paulo, em que outros garotos também interagiram com policiais; corporação responsabiliza pais e diz que irá coibir prática nos próximos eventos

O evento oficial do dia 9 de Julho em São Paulo, que celebra a Revolução Constitucionalista de 1932, teve a presença de crianças desfilando com réplicas de armas de fogo na manhã desta terça (9).

O desfile cívico-militar ocorreu em frente ao Mausoléu do Obelisco, na região do parque Ibirapuera, e contou com a presença do governador em exercício, Rodrigo Garcia (DEM) —João Doria (PSDB) está em viagem em Londres.

A reportagem verificou pelo menos dez crianças que exibiam as armas de brinquedo no desfile, acompanhadas de adultos. Estavam no evento policiais militares, escoteiros e bombeiros.

Questionada, a Polícia Militar responsabilizou os pais das crianças e disse que tentará evitar a repetição das cenas nos desfiles futuros.

“Quanto ao uso de armas de brinquedos, seus pais serão orientados a não mais deixarem seus filhos as portarem em futuros desfiles”, afirma.

O Palácio dos Bandeirantes também foi procurado pela Folha, mas informou que a manifestação seria dada apenas pela polícia.

O trajeto do desfile saiu do Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, localizado na avenida Pedro Álvares Cabral, próximo ao parque do Ibirapuera, às 9h. O local é onde estão sepultados os corpos de centenas de mortos na revolução.

Em sua nota, a Polícia Militar disse que “valoriza as crianças que têm orgulho em vestir a farda de seus verdadeiros heróis” e que, neste sentido, “motiva às crianças a desfilarem” na homenagem do 9 de Julho “como forma de incentivar seu patriotismo e civismo”.

O evento realizado nesta terça em São Paulo foi em comemoração ao início da Revolução Constitucionalista de 1932. O levante foi protagonizado por São Paulo contra o governo provisório do presidente Getulio Vargas.

A data é lembrada no estado desde 1997, ano em que o então governador paulista, Mário Covas (PSDB), sancionou a lei que instituiu o feriado.

A ampliação da posse e do porte de armas é uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (PSL) desde a campanha eleitoral. Embora a medida seja voltada para adultos, Bolsonaro se notabilizou pelo gesto de arma com as mãos, repetido também por crianças —geralmente filhos de simpatizantes.

O artigo 26 Estatuto do Desarmamento, de 2003, proíbe a fabricação, venda e importação de réplicas ou armas de brinquedo, com exceção das réplicas e simulacros destinados à instrução, ao adestramento ou à coleção de usuário autorizado.

Roberto Tardelli, advogado e ex-procurador do Ministério Público de São Paulo, disse à Folha não ver crime na presença das réplicas com as crianças no desfile pelo fato de elas não terem sido usadas com intenção de ameaça ou intimidação.

Já houve tentativas de tornar ilegal o porte de arma de brinquedo e simulacros. No Senado, dois projetos de lei, um criminalizando o porte e outro apenas o porte em ação criminosa, chegaram a ser apresentados.


Fonte: pressreader.com - FSP

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