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Idoso é impedido de entrar em banco e mulher alega racismo: 'Sujo do trabalho'

Amaro Correia dos Ramos, de 63 anos, é morador de Peruíbe, no litoral paulista, e registrou boletim de ocorrência após a confusão. Segurança, segundo cliente, jogou os bens dele para fora da agência.

16/05/2019 por Por G1 Santos

Um idoso, de 63 anos, foi impedido de entrar em uma agência bancária em Peruíbe, no litoral de São Paulo. O cliente diz que o segurança o abordou, negou o acesso e jogou os bens dele para fora. A esposa do correntista afirma que o marido foi vítima de racismo. O banco negou irregularidade.

A confusão ocorreu na agência da Caixa Econômica Federal localizada na avenida 24 de Dezembro, no Centro. Amaro Correia dos Ramos é operador de empilhadeira em uma loja de construções e aproveitou o horário do almoço para pagar uma conta no início da tarde de terça-feira (15).

Vestindo calça jeans, camisa do uniforme e uma bota, Ramos disse que foi barrado já na porta da agência pelo segurança da unidade. Parte da roupa de trabalho que ele utilizava no momento da abordagem estava suja, mas nada, segundo ele, que o impedisse de entrar na unidade.

Ele usava uma bota com biqueira de aço, que é proibida no acesso a agência. "Disse que tiraria a bota para entrar, como ocorreu outras vezes e foi permitido pelo gerente que me conhece. Sou um dos primeiros clientes daquela agência", alegou o idoso, ao falar com o G1.

Apesar disso, o vigilante, ainda segundo o correntista, agiu de maneira ríspida com ele na negativa. “Ele me disse: 'você não vai entrar aqui, nem descalço'. Depois, pegou minhas coisas [carteira e chave do carro] e jogou para fora [da agência], pedindo para eu sair”, contou.

“Havia uma funcionária que me conhecia e tentou me ajudar, mas o segurança quis se desfazer de mim porque estava sujo, de boné, com a roupa do trabalho. Achou que eu fosse ninguém. Estava ali para pagar minhas contas”, desabafou.

O filho dele chegou a encontrá-lo e ofereceu um chinelo para que o pai pudesse entrar na agência. Mas o idoso estava nervoso e acabou voltando para casa, onde contou o acontecido à esposa. Aconselhado por familiares, ele decidiu registrar um boletim de ocorrência na delegacia.

"Eu não vou deixar assim. Eu vou brigar, porque não pode ficar assim. Meu esposo foi constrangido e isso se chama racismo", alegou a mulher por meio de uma publicação. Na postagem, ela publica também uma foto com três mãos: dela, do marido e da neta.

Agora, Ramos espera que situações como esta não aconteçam novamente com ele, nem com outros clientes. “Estava ali sendo honesto, e quero que isso não fique impune. É preciso um melhor preparo para atender as pessoas. Não é assim que funciona”.

Em nota, a Caixa Econômica Federal informou que segue normas de segurança e que o causador do travamento de segurança com detecção de metal pode ter sido o equipamento de proteção individual (EPI) usada por Amaro, uma bota com biqueira de aço.

A CEF explica que é padrão a não liberação da entrada de pessoas usando o equipamento, já que o EPI é para uso exclusivo no local de trabalho. O objetivo da porta é de proteger clientes, empregados e o patrimônio do banco, e nunca criar obstáculos ou constrangimentos aos usuários.


Fonte: https://g1.globo.com

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