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CCBB Rio recebe exposição do pintor suíço Paul Klee

Mostra é composta por 123 itens. Suíço é considerado um dos maiores artistas dos últimos 100 anos. Coleção chega à cidade após temporada de sucesso em São Paulo.

15/05/2019 por Por Carlos Brito, G1 Rio

Demorou muito tempo até que o artista suíço Paul Klee encontrasse o caminho que o levaria a ser um dos maiores pintores do século XX. Muito por sua insatisfação com o ensino de arte na Europa do início do século passado, muito por sua própria natureza inquieta.

Ainda assim, ao longo dos seus pouco mais de 60 anos de vida, ele produziria 10 mil obras de arte, entre pinturas, desenhos, gravuras e fantoches – e a partir desta quarta-feira (15), 123 delas poderão ser vistas pelo público no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

A mostra "Paul Klee - Equilíblio instável" desembarca em território carioca após uma temporada bem-sucedida no CCBB paulista – entre fevereiro e abril, a exposição foi visitada por 185 mil pessoas.

O material apresentado ao público pertence ao acervo do Zentrum Paul Klee, instituição localizada em Berna, na Suíça, proprietária de quatro mil obras do artista. A exposição do Rio é formada por 16 pinturas, 39 papéis, cinco gravuras, cinco fantoches e 58 desenhos.

Deslocar uma parte tão substancial dos trabalhos do pintor até o Brasil envolveu um complicado trabalho de logística e acomodação – algo que o visitante poderá sentir assim que chegar ao primeiro andar do CCBB, onde a mostra está montada: para evitar danos aos quadros e impedir que a tinta derreta, a temperatura do local não pode ser superior a 20 Cº.

Cuidados compreensíveis para um artista que, com frequência, é colocado pela crítica ao lado de nomes fundamentais da arte, como Pablo Picasso e Wassily Kandinsky. Influenciado por ambos e por muitos outros, ele conseguiu criar uma obra própria.

"Muitas vezes me perguntam qual a escola de Klee – se ele é cubista, expressionista ou surrealista. Posso dizer que o trabalho dele tem elementos de todas essas vertentes sem pertencer a nenhuma delas. O trabalho dele é muito particular e muito independente", explicou a curadora da mostra, Fabienne Eggelhöfer.

De fato, ao longo de sua trajetória, Klee se associou a correntes variadas e isso fica evidente em suas obras: a angústia do homem moderno nos traços fortes e coloridos do expressionismo, a valorização das formas geométricas e do descompromisso com a figuração do cubismo, a importância da composição inspirada pelo construtivismo e a representação da abstração e do inconsciente, típicas do surrealismo – todos esses elementos estão em seus trabalhos.

Bauhaus

Dividida em uma linha de tempo, a exposição mostra desde os primeiros desenhos feitos pelo artista, ainda na infância, até os esboços e obras da fase adulta, passando por seu período como professor na prestigiada escola alemã de design Bauhaus, até sua produção tardia.

"Ao olhar os desenhos que Klee fez quando criança, não vemos nada que pudesse nos fazer imaginar que ele seria um grande artista. Essa condição, no entanto, mudaria com o passar dos anos. Logo após concluir os estudos escolares na Suíça, ele decidiu ir à Munique, na Alemanha, determinado a se matricular na principal escola de arte local. Ele não é aceito em um primeiro momento, mas depois acaba admitido. Só que abandona os estudos após apenas seis meses, convencido que a escola de arte não tinha nada para lhe ensinar. Os pais, então, o obrigam a voltar para casa", descreveu Fabienne.

Após uma viagem à Itália e o casamento, Klee vai a Paris, onde conhece o pintor russo Wassily Kandisnky, e, logo em seguida, à Tunísia – as impressões deste último país mudariam para sempre sua pintura, levando-o a adortar as cores em suas obras, até então feitas em preto e branco.

Pouco depois de servir as forças armadas da Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial, Klee percebe a ascensão do Partido Nazista e começa a deixar transparecer suas preocupações com aquele movimento político por meio de suas obras.

"É nesse período, em 1921, que ele recebe o convite para ser professor da Bauhaus. Nunca havia pensado em dar aulas, mas aceita a proposta por conta do bom salário que começou a receber. No entanto, a função de professor retira o tempo livre que ele gostaria de ter para pintar suas obras. Por isso, depois de 10 anos, decide abandonar a instituição".

Em 1933, Klee volta à Suíça, onde viveria até o fim da vida, em 1940. O artista morreria vítima de esclerodermia, rara doença autoimune que endurece os tecidos conjuntivos, a pele e, por fim, os próprios órgãos.

"Ele é um dos maiores pintores dos últimos 100 anos. Ficamos felizes por podermos trazer a obra dele até o Rio de Janeiro. Esperamos que o público carioca aprecie a mostra", finalizou Fabienne.

Após deixar o Rio, no dia 12 de agosto, a mostra seguirá para o CCBB Belo Horizonte.


Fonte: https://g1.globo.com

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