Tombamento sacrifica donos de imóveis seculares

Após 383 anos de Penedo, Lei do Tombamento fez tombar casario secular e futuro de Penedo.

Lei do Tombamento engessa proprietários de prédios históricos e desvalorizados.

14/04/2019 por Por Raul Rodrigues

A atual cidade do Penedo, nome engastado em sua origem de solo – rochedo – pedras acumuladas na área denominada de Rocheira, região do porto de acolhimento dos invasores, e depois, do comércio entre as canoas de toldas e chatas que traziam as mercadorias do alto Sertão, desde os animais e aves – porcos e galinhas – a queijos e outros viveres, chegando à Cal e as pedras de paralelepípedo para compor a nova pavimentação das ruas.

Em sua origem, o pequeno vilarejo recebeu vários nomes; de Opara a Vila do São Francisco, depois Vila Penedo do São Francisco, e por fim Penedo, entre os anos de 1560 quando Duarte Coelho Pereira descobriu as águas do rio batizado por ele de São Francisco, em homenagem ao dia do santo casamenteiro, a 1636, data da elevação à Vila. Observe-se que 1636 é um número bissexto, fator que se repete de quatro em quatro anos.

Em sua história contextualizada como produtora de coco e arroz, culturas agrícolas da região e não especificamente no município de Penedo, a pesca, esta sim por se tratar de cidade portuária, e cana de açúcar, sendo esta última cultura dos tempos modernos. Sempre dividida entre ser centro comercial do que produziam Igreja Nova e Piaçabuçu, em Alagoas, e Brejo Grande, Brejão e Betume, e Ilha das Flores, em Sergipe, regiões do derredor de Penedo, teve seu nome elevado ao conhecimento do país como desenvolvimentista, mas sempre a reboque do produziam suas vizinhas.

Por se tratar de cidade histórica pelos traços deixados por seus invasores – holandeses alemães e portugueses – esta sim sendo a maior riqueza própria, Penedo teve seu auge em meados do século XX – 1900 ao seu final – como entre porto comercial entre o baixo São Francisco e o alto Sertão de Alagoas e Sergipe, momento em que a hidrovia era a marca do progresso, e possuidora de agencias bancárias que faziam convergir todas as cidades e municípios vizinhos de Alagoas e Sergipe. Éramos a feira livre de maior volume de todo o baixo São Francisco.

Como polo referencial de saúde e educação, nos tornamos ainda mais famosos entre a região, catalizador do nome de Penedo como referência no Norte e Nordeste tornando-nos a mais famosa cidade com teatro, cinemas e o Majestoso Hotel São Francisco, ainda hoje cartão postal e fonte de turismo para Penedo.

Com a chegada das rodovias e os caminhões como meio de transporte mais rápido e também seguro, Penedo passou a definhar não se preparando para o futuro tendo o seu povo mais capitalizado investindo na “poupança” – fim dos anos 70/90 – afundando em uma crise com a perda da feira livre de cada município vizinho, a chegada de agencias bancárias nessas cidades, e a concentração das rendas de cada povo em seu lugar de origem.

Hoje Penedo busca seu novo rumo para alcançar o sucesso novamente entre as suas raízes nunca exploradas – o turismo, histórico, geográfico, ambiental e religioso – conquista que somente será atingida por meio das atrações realizadas que tragam turistas para conhecerem a cidade dos sobrados, das ruas estreitas e largas avenidas!
 


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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