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Frente liberal na Assembleia: o que esperar na prática? Eis a questão!

Grupos podem estimular debates interessantes no parlamento estadual, que precisa abrigar diferentes visões de mundo para o enriquecimento das discussões.

14/03/2019 por Lula Vilar

No dia de ontem, 13, o deputado estadual Davi Maia (Democratas) tomou uma iniciativa que vale ser acompanhada: a proposta da criação de uma Frente Pela Liberdade, que no caso em tela, é a reunião de parlamentares - independente dos partidos - que possuem uma visão mais liberal.

A iniciativa é interessante por dois motivos: 1) mostra para o eleitor a linha central de pensamento (pelo menos em tese) dos deputados estaduais que passam a integrar este conjunto; 2) com base nisso, pode estimular debates interessantes no parlamento estadual, que precisa abrigar diferentes visões de mundo para o enriquecimento das discussões.

Seria interessante que um parlamento tivesse correntes assim tanto à esquerda quanto à direita, centro, enfim, se desdobrando nas mais diversas correntes, entre posições mais progressistas e conservadoras.

Eis a democracia: local onde as ideias se chocam.

Com linhas centrais definidas teriamos discussões sobre projetos de lei com o olhar atento às posições dos parlamentares para perceber se estas correspondem ou não às crenças previamente assumidas.

Por isso, creio que seja interessante a Frente proposta por Davi Maia. Diria o mesmo se fosse uma outra frente que se apoiasse em correntes ideológicas das quais discordo. Afinal, defendo que o parlamento tenha o maior pluralismo possível.

Agora, formar uma Frente por si só - por melhor que sejam as intenções - não significa dizer que é um bem em si, mas apenas uma proposta interessante. O que ela produzirá a partir daí é o que deve ser analisado, para não se tornar apenas algo no "papel" e sem frutos; apenas para definir conceitualmente esse ou aquele deputado dentro de um campo político.

Será preciso a prática e espero que essa surja na História. Caso contrário, é um pedaço de papel que serve de guarda-chuva para todo mundo que queira se dizer liberal sem sequer saber ao certo o que é isso. Não queiram me convencer, por exemplo, que Ângela Garrote é uma liberal. Não vejo qualquer sinal de convicção à esquerda ou à direita na parlamentar.

Que essa Frente - portanto - construa uma linha de diálogos com o setor que busca defender e produza efeitos para além do parlamento e dentro da instituição.

Uma dica: iniciar estudos para a desregulação de legislações inúteis ao longo do tempo. Com isso, os liberais alagoanos já colocariam na prática um conceito fundamental à filosofia que defendem: a desburocratização, que pode ser associada à redução do poder coercitivo estatal.

É preciso, portanto, que essa Frente tenha perspectivas de ações pragmáticas. Os parlamentares que fazem parte possuem competência para tanto. De acordo com a assessoria de imprensa de Davi Maia, já se encontram na Frente proposta, os deputados Bruno Toledo (PROS), Cibele Moura (PSDB), Cabo Bebeto (PSL), Gilvan Barros Filho (PSDB) e Angela Garrote (PP).

Davi Maia já tem um viés liberal conhecido, pois muitas posturas suas iam nesse sentido no comando de uma pasta municipal. Bruno Toledo - na legislação passada - mostrou um perfil que em alguns momentos caminhava pelo liberalismo, em outros tinha uma mensagem mais próxima ao conservadorismo.

Cabo Bebeto é um parlmentar do qual se espera uma postura mais próxima das ideias do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PSL). Portanto, que tenha o viés mais liberal e conservador.

Já Cibele Moura ainda tem um discurso genérico e sem definição exata. Já cedeu inclusive para a patrulha progressista ao pedir desculpas por ter se vestido a fantasia de índia. Uma piada.

Vamos aguardar. Ângela Garrote: mais do mesmo da política tradicional alagoana. Nunca ouvi falar que fosse liberal. Creio até que não deve ter nem sustentação teórica para tanto. Vai na onda.

Em todo caso, que a Frente possa produzir. Maia faz bem ao propor. 


Fonte: cadaminuto.com.br

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