pérolas Penedenses

História fluvial de Penedo encontra-se em baixo das águas: O Comendador Peixoto

Velho navio encontra-se naufragado aos da cidade a quem ajudou a se desenvolver

10/01/2019 por Por Raul Rodrigues

Uma parte da história de Penedo – época de progresso – o navio Comendador Peixoto, encontra-se até hoje em baixo das águas do Velho Chico, por onde o maior navio de passageiros navegou. Ironia do destino; quem o viu passar por sobre as suas águas hoje o mantém escondido diminuindo a beleza da nossa cidade.

O navio a vapor Comendador Peixoto foi construído na Inglaterra para o rio Amazonas de foi trazido para Penedo para a Companhia de Navegação Peixoto, vindo a fazer parte da navegação do Baixo São Francisco, interligando o porto de Penedo até Piranhas, última cidade ribeirinha em condições navegáveis para o porte – calado – da embarcação.

O Comendador Peixoto, era um navio de ferro, portanto de grande calado – parte submersa –, entretanto em função das grandes cheias anuais e, do não assoreamento do São Francisco, a navegação no Baixo São Francisco era de grande fluência de lanchas, Tupan, Tupigy e Tupy da empresa fluvial Tupan, da família Barreto da cidade de Neópolis/SE, canoas de tolda, e chatas que faziam o transporte de passageiros e cargas entre Piranhas e Penedo.

Dotado de camarotes e alas de passageiros, ainda com espaço reservado para carga, o navio traduzia a pujança do Penedo desenvolvido.

Em 13 de dezembro de 1960, totalmente reformado no estaleiro da Fábrica da Passagem, O Comendador Peixoto foi festejado em sua volta às águas, mas já encampado pelo governo federal para prestar serviços à antiga Comissão do Vale do São Francisco.

Nas festas do Bom Jesus dos Navegantes o navio Comendador Peixoto foi durante sua estada flutuante o rebocador das canoas de toldas que por anos conduziam a imagem do santo padroeiro dos pescadores, seguido por centenas de outras canoas e embarcações de pequeno porte, embelezando ainda mais a mãe natureza dividida entre as margens do caudaloso São Francisco e as suas águas ora barrentas ora esverdeadas anunciando a profundidade dos locais dos imensos canais.

O carvoeiro e foguista Luiz de Santana – seu Lulu – in memoriam, deixou registrado que eram necessárias 35 toneladas de lenha para cada subida e descida nas viagens entre Penedo/Piranhas e Piranhas/Penedo.

O Comendador Peixoto é parte da rica história do Baixo São Francisco. Não merecia nem deveria estar escondido em baixo da águas beijando a terra do porto onde sempre foi acolhido. É um duplo crime: crime por se encontrar escondida das novas gerações parte da nossa história e cultura e, crime por se deixar matar um passado. Povo sem passado é povo sem berço cultural.

O único navio a subir e descer o rio São Francisco é hoje morada de peixes e por desrespeito de todos os gestores que passaram por Penedo depois de Raimundo Marinho que ainda tentou resgatar o velho navio, até hoje, só permitem que casco encoberto pelas águas receba da população penedense os dejetos in natura dos esgotos situados entre o Paço Imperial – Museu Raimundo Marinho – e o antigo porto da lancha da Passagem. Dura realidade do mundo selvagem e capitalista.
Em nossa opinião o Comendador Peixoto merecia melhor aposentadoria.

 


 


Fonte: correiodoppovo-al.com.br

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