Homenagem ao tempo

Como falar da saudade sem lembrarmos o desaparecido quase como maldade

Trovões e relâmpagos de um passado não tão distante.

10/01/2019 por Por Raul Rodrigues

Penedo das altas glórias, dos tempos do amplo progresso, com sua marca na história promovendo o seu sucesso. Saudosistas são por vezes criticados por relembrar os tempos áureos da alfandega, da Capitania dos Portos, do instituto dos marítimos, do porto sempre fluente entre barcos e barcaças, do cabaré respeitado pelos bares, mulheres da vida e das bandas tocando ao vivo. O cabaré era um pré-requisito das cidades portuárias. Em Maceió era no Jaraguá.

Das agências bancárias dentre as primeiras do Brasil; 049 do Banco do Brasil e 058 da Caixa Econômica Federal. Das fábricas de beneficiamento do arroz, produzido pelas regiões do Betume-SE, e Igreja Nova-AL, do Theatro Sete de Setembro, da Imperial Sociedade Philarmônica devido à visita do Imperador Dom Pedro II, da Empresa Penedense de Luz e Força, da Companhia de Melhoramentos de Penedo, da telefonia do “número faz favor”, da Padaria da Toinha, ou da Mercearia do Seu Barroso, do seu Redondo sapateiro, do Mestre Carlos também sapateiro, do seu Zuza alfaiate, do Machado cego, do Raimundo doido, do Pilinha, das famosas bicudinhas – lotação – do seu Antônio Barbosa e Nelson Lobo, do carro funerário do seu Zé Rabeca, das lambretas e vespas, das festas de Natal na Floriano Peixoto – atual Largo do São Gonçalo – e depois, na Avenida Divaldo Suruagy – à época conhecida como Rua da Praia.

Do famoso Nestor Mainha e sua emblemática loja tem de tudo, de Irmãos Peixoto revendedor da Ford Wiliam Overland, da Volkswagen depois denominada de Brasnorte, das lanchas, Tupã, Tupy e Tupigy, das missas aos domingos com a obrigatória ida ao cinema, Cine Penedo ou Cine São Francisco, com as melhores roupas sempre adquiridas na Boutique da Vera Gonçalves, Magazine Caribe, na Veruska Boutique, ou na Loja do seu Samuel Lerner, ou seu Liosvaldo.

O tempo é implacável! Deixa-nos desfrutar de tantas riquezas naturais e humanas para depois, aos poucos ir nos resumindo às saudades quando temos o privilégio de chegarmos a uma idade mais avançada para tempos atrás, hoje tão natural à terceira idade.

E sobre a Festa do Bom Jesus dos Navegantes dos passeios em canoas, lanchas e, depois balsas trazendo para Penedo os milhares de romeiros fies do santo das águas doces. 

Melhor sentir saudades que fazer parte do passado entre os moradores do São Gonçalo do Amarante. Endereço de todos, um a cada dia do seu prazo de validade.
 


Fonte: correiodoppovo-al.com.br

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