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E o caso Arão? Estopim da crise entre Flamengo e Botafogo, imbróglio vive seu capítulo final

Alvinegro se apega à nova determinação da Fifa após derrotas em primeira e segunda instâncias, mas defesa do volante minimiza. Processo tramita em Brasília e pode ser julgado até fim do ano

08/11/2018 por Por Marcelo Baltar e Thiago Lima — Rio de Janeiro

O caso ganhou as manchetes e estremeceu a relação entre Flamengo e Botafogo. Desde o fim de 2015, quando William Arão trocou General Severiano pela Gávea, a agenda estre os rivais foi recheada de polêmicas e acusações. Embora sumido do noticiário, o imbróglio judicial segue em tramite em Brasília e a expectativa é que tenha seu capítulo final ainda neste ano.

O capítulo final

Após decisões desfavorável em primeira e segunda instância no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ), o Botafogo levou o caso a Brasília. Embora o TRT tenha negado o pedido de envio, o Alvinegro entrou com agravo de instrumento para o Tribunal Superior do Trabalho (TST). Os autos do processo foram recebidos para apreciação do no fim de agosto.

Em setembro, o ministro Alexandre Luiz Ramos foi sorteado como relator e já está com o processo em seu gabinete. Ele vai redigir seu voto para ser analisado por outros ministros antes da decisão final, em última instância. A expectativa é que o julgamento aconteça antes de 19 de dezembro, quando o tribunal entra em recesso.

Botafogo aposta em fato novo

O contrato de Arão com o Botafogo, assinado em janeiro de 2015, previa renovação automática por mais um ano, em caso de depósito de R$ 400 mil. Nesse caso, a multa do jogador passaria a valer R$ 20 milhões, com os direitos econômicos sendo divididos entre clube (70%) e jogador (30%).

Em novembro daquele ano, o Alvinegro chegou a depositar duas vezes o valor para acionar o dispositivo de renovação automática, mas ambos foram devolvidos pelo volante, que já desejava se transferir para o Flamengo.

A Justiça tornou sem efeito a cláusula por entender que o contrato feria a nova resolução da Fifa, que proibia investidores de terem direitos econômicos de atletas. Agora, o Botafogo se apega a uma nova determinação da Fifa para reverter as decisões em instâncias inferiores.

O clube defende que, em julho, a entidade estabeleceu que o atleta não pode ser considerado terceiro nos casos de direitos econômicos. Segundo o departamento jurídico do alvinegro, a Fifa até então não havia deixado clara a questão.

- Nossa expectativa é de que finalmente nossas alegações sejam apreciadas com a devida atenção. Principalmente agora que a Fifa estabeleceu que jogador não é considerado terceiro na questão que envolve direitos econômicos - analisou o vice jurídico do Botafogo, Domingos Fleury.
- Quando a Fifa baixou a norma (2015), ela não esclareceu se os atletas poderiam ou não ser tratados como terceiros. Portanto nada impedia que ele ficasse com os 30% pactuados com o Botafogo. A expectativa é que a gente consiga reverter essa decisão – completou o dirigente.

Defesa de Arão se mostra tranquila

Procurado pela reportagem do GloboEsporte.com, a defesa de William Arão não demonstrou preocupação com o fato.

- Não muda absolutamente nada. Foi uma decisão em um caso isolado, em que a fundamentação da decisão sequer foi apresentada. Pura especulação – disse Bichara Neto, advogado de William Arão.

Arão quase mudou de ares
Arão quase foi embora do Flamengo antes mesmo do fim da questão judicial. Apesar de titular com Dorival Junior, ele esteve sem espaço ao longo de 2018 com outros treinadores. Reserva na maior parte do ano, ficou perto de ser negociado pelo Flamengo no meio da temporada.

Em julho, o clube chegou a aceitar oferta do Olympiacos de € 2.5 milhões (cerca de R$ 10 milhões) para vender o jogador, que não entrou em acordo com os gregos a respeito de salário. Posteriormente, o Rubro-Negro recusou uma oferta o Santos pelo camisa 5.

Novas polêmicas

Após dois anos de intensas polêmicas entre os dois clubes, o clima nos bastidores amenizou no decorrer de 2018. A troca na presidência do Botafogo, no início do ano, ajudou, uma vez que Nelson Mufarrej não costuma dar declarações inflamadas em relação ao rival como fazia o ex-presidente Carlos Eduardo Pereira.

Em campo, o clássico teve sim algumas polêmicas, como as comemorações de Vinicius Junior (chororô) e Luiz Fernando (cheirinho). No caso da primeira, após a semifinal da Taça Guanabara, o Botafogo emitiu nota de repúdio e admitiu que devido ao ato não cederia o Nilton Santos ao Flamengo para a decisão do turno, diante do Boavista.

O Alvinegro afirmou que esperava um pedido de desculpas do Flamengo pelo gesto do jogador e não voltou atrás na decisão de não ceder seu estádio para o confronto, que foi disputado em Cariacica, no Espírito Santo.

Meses depois, a vingaça alvinegra veio na semifinal do Carioca. A equipe superou o favoritismo do Flamengo e avançou para a decisão - posteriormente, seria campeão sobre o Vasco. Na comemoração do gol da vitória, Luiz Fernando ironizou o ''cheirinho''.

No entanto, os clubes apararam as arestas e chegaram a um acordo de dois jogos do Flamengo no Nilton Santos pelo valor de R$ 250 mil: contra o River Plate, da Argentina, na estreia na Libertadores (com portões fechados devido à punição da Conmebol), e diante do Madureira no Carioca.

Os clubes chearam a costurar outro acordo por um número maior de jogos ao longo de três anos, uma vez que a Ilha do Urubu, na Ilha do Governador, ficou interditada. Mas o Rubro-Negro não concordou com o Alvinegro em um aluguel mínimo de 10 partidas por temporada, além de preços mais caros. Com a liberação do Maracanã, as tratativas pelo Nilton Santos caíram por terra.

A mais recente polêmica foi referente ao preço dos ingressos para o último clássico dos rivais em 2018, no Nilton Santos. O Botafogo manteve a promoção para sua torcida, a partir de R$ 2,50 até R$ 20, e começou as vendas sem definir os preços para os 10% da carga de visitante. A intenção da diretoria era cobrar R$ 60, o mesmo que a torcida alvinegra pagou como visitante no primeiro turno, no Maracanã, mas recuou após a preocupação das autoridades com a segurança.


Fonte: https://globoesporte.globo.com

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