Em 2015 ainda era possível

Singrando o Velho Chico

Em 2018, três anos depois, somente Jat Sky faz o mesmo percurso.O rio está morto.

03/11/2018 por Por Raul Rodrigues

Já viajei, na verdade singrei as águas do Velho Chico nos tempos das águas barrentas e caldosas na empresa Fluvial Tupan. Eram os tempos idos de 60/70 quando o Timoneiro Seu Quincas comandava a Tupan, Sebastião a Tupigy, e outro piloto que a memória agora me falha, comandava a Tupy. Eram viagens de em média doze horas de duração. Neópolis-Pão de Açúcar. No outro dia Pão de Açúcar-Piranhas. Uma festa para as cidades e povoados ribeirinhos.

O volume de águas do rio da Unidade Nacional era tamanho que não media leitura de canal, as lanchas de calados acentuados, profundidade para navegação, nunca requisitavam menos de 1,5 metros de profundidade ou altura. E o rio é em toda a sua extensão um imenso “lago” em largura e fartura. As histórias dos ribeirinhos atravessam décadas. Até a do Surubim que quebrou a janela da Tupan caindo no interior da parte baixa de carga. A Tupan carregava tranquilamente mais de uma centena de passageiros com suas cargas. Normalmente mercadorias.

Em 2015, entusiasmado por amigos pessoais e do rio São Francisco, Otávio e Mário Jorge, adquiri uma pequena lancha, a Hobylu, 17 pés, motor de 135 Hp, Mercury Optmark, em perfeito estado de funcionamento, e junto à minha família, esposa e filhas, Rafaela e Rebeca, esposa Silvana e um casal de parentes, Walmy e Maísa, acompanhamos Otávio e C&a em uma subida até Pão de Açúcar. Foi uma das mais felizes viagens de nossas vidas. Memoráveis momentos. É algo fora do contexto da vida natural. O homem em contato com a natureza.

Emoções diferentes das do dia-a-dia com limpeza total do disco rígido doas nossas mentes ante ao poluído espaço das cidades e dos veículos e prédios. É o canto das águas entre os assobios de pássaros e vegetação das margens do rio. As paradas sempre programadas em pontos estratégicos com apoio inigualável. A culinária somente própria ao nativo beradeiro. Peixe e camarão, sempre regado a uma excelente cerveja. Um manjar dos deuses.

Neste período já fomos forçados a buscar canais e locais mais profundos mesmo que diante da pequena calagem das embarcações. 50 cm de profundidade. O rio já gritava estou morrendo!

A riqueza dessa experiência ficou gravada em nossas mentes com sabor de despedida – infelizmente – de um passeio que poderia servir de desenvolvimento garantido para o turismo da região com emprego e renda para todos.

Fizeram partte da expedição despedida: Raul Rodrigues, Silvana Rodrigues, Rafaela Rodrigues, Bianca Góes, Walmy Rodrigues e Maísa Delgado, Otávio e Aninha(esposa), Sandro e esposa, e Maurício e Albinha(esposa).
 


Fonte: correiodoppovo-al.com.br

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