Vivemos a plena crise de autoridade

Como foi usada a autoridade nos últimos quarenta anos?

Hoje as autoridades se comportam de maneiras a não serem respeitadas pelas suas falhas de caráter, moral e dignidade.

21/07/2018 por Por Raul Rodrigues

Tendo observado o uso da autoridade nos últimos quarenta anos, tanto de maneira caleidoscópica – estudo da sequência de fatos – pelo uso da memória ou pela própria literatura, ou ainda pela minha característica de cinéfilo. Cheguei à conclusão de que a autoridade, desde a dos pais, às das autoridades impostas pelas regras da sociedade: delegado, padre, juiz, promotor, prefeito, governador e até presidente, chefe de repartição; hoje nem tanto usual, a autoridade do professor ou professora, dos avós, dos tios, tias, e assim sucessivamente. Tais autoridades vêm sendo alteradas nas metodologias do próprio uso.

Nos anos 20/30 aos anos 70 meados de 80, apenas duas alterações aconteceram na aplicação das autoridades. Entre 20 e 70, as autoridades eram respeitadas pela hierarquia familiar, grau de ocupação dos cargos, e de maneira cultural introduzida nas mentes das gerações sob a forma da reverência ao simples avistar. Quem é desse período sabe que não era preciso alguém cobrar o respeito a outrem no mínimo mais velho. O que era atendido de pronto.

A partir dos anos 80, começou a se cobrar visivelmente que os mais novos respeitassem os mais velhos ou a alguém que ocupasse um alto cargo desde clerical, às demais autoridades civis e militares. Era sinônimo de uma boa educação prestar reverência às autoridades constituídas pela idade ou pelos cargos. E estas autoridades apenas cobravam o devido respeito. Filhos ou filhas não se intrometiam nas conversas de adulto e assim por diante.

A partir dos anos 90, as autoridades começaram a impor que fossem elas respeitadas. Era o principio do fim da essência da palavra respeito. Gerando dessa época, até aos dias atuais, o abuso de autoridade ao se exigir respeito a quem respeito se deve ter naturalmente!

Por consequência, têm autoridades que não se respeitam, aproveitando-se dessa falha da compreensão hierárquica para fazer impor desejos contidos a subalternos usando de todas as formas possíveis e imagináveis para reprimir e oprimir a quem se deseja dominar quais animais adestrados com horários e deveres a cumprir, inclusive os inadmissíveis.

Estamos sim, no começo do fim dos piores dias dos brasileiros e brasileiras, que pertencem à classe dos pobres mortais.
 


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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