Caso Roberta completa 06 anos sem solução

'Não basta só isso', diz delegado sobre laudo com transcrição de confissão do homicídio de Roberta Dias

Jovem desapareceu quando estava grávida, em 2012. Seis anos depois, delegado Cícero Lima afirma que ainda deve levar cerca de um mês para concluir o inquérito.

04/05/2018 por Redação

O delegado Cícero Lima, que preside o inquérito sobre o desaparecimento e morte da jovem grávida Roberta Dias, em 2012, afirmou nesta sexta-feira (4) que só o laudo com a transcrição da confissão do assassinato da jovem não é suficiente para concluir o inquérito: "Não basta só isso".

A Polícia Civil convocou a imprensa para uma entrevista coletiva nesta sexta-feira (4), em Maceió, depois do vazamento do relatório elaborado pela Polícia Federal com o conteúdo de uma conversa gravada em áudio que revela detalhes do homicídio. Contudo, nenhum detalhe da investigação foi revelado.

"A polícia judiciária não trabalha com conjecturas. Ele [o laudo da PF] foi decisivo, só que não basta só isso, nós temos outras provas técnicas, estamos aguardando a conclusão. Tão logo seja concluído [o inquérito], será remetido à Justiça com todas as pessoas envolvidas", disse Cícero Lima.

O corpo de Roberta jamais foi encontrado. Na conversa gravada em áudio e transcrita no relatório a que o G1 teve acesso, Karlo Bruno Pereira Tavares conversa com um amigo por telefone e confessa que cometeu o homicídio com um amigo, Saulo, de quem a jovem estava grávida: "Matei por uma bosta, por uma besteira".

A mãe de Saulo, Mary Jane Araújo dos Santos, ficou presa 61 dias sob suspeita de ser a mandante, mas foi libertada com o fim do prazo da prisão temporária. Também foram presos um policial civil e outras duas pessoas, identificadas apenas como “Dido Som” e “Neguinho do Pedro Melo”. Eles não são citados na conversa gravada.

Segundo a Polícia Civil, todos os presos anteriormente foram libertados, mas a polícia não informa se foi descartada a participação deles no caso. Karlo Bruno chegou a ser investigado no início do inquérito, por causa de denúncias de que ele sabia do paradeiro do corpo.

O delegado Cícero Lima afirmou que foram feitas buscas no local citado por ele na gravação, que seria onde o corpo de Roberta Dias tinha sido enterrado, mas só foram encontrados ossos de um equino. À época, Karlo Bruno era menor de idade.


O laudo foi elaborado pela Polícia Federal em outubro de 2016, mas só foi entregue à Polícia Civil um ano depois, em outubro de 2017. Mesmo assim, segundo moradores da cidade, Karlo Bruno jamais foi preso ou apreendido, e até então era visto andando livremente pela cidade.

Em entrevista à TV Gazeta, a mãe de Roberta cobrou uma resposta da Polícia Civil sobre o caso. "O delegado disse que está trabalhando, mas a Justiça está impune. Quero a resposta do porquê de esse laudo estar na rua e eles não estão presos".

Seis anos depois do desaparecimento da jovem, Cícero Lima afirmou que ainda deve levar cerca de um mês para concluir o inquérito.

"É um crime complexo, temos suspeitos e novos suspeitos. É difícil investigar um crime sem o corpo. Estamos conseguindo chegar a todos os envolvidos", disse o delegado.

Embora não admita que o laudo a que a imprensa teve acesso é o mesmo que consta no inquérito policial, o delegado Cícero Lima ainda afirmou que vai investigar de onde partiu o vazamento da transcrição.


Fonte: G1 AL

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