11/04/2018 19:58 por Por Raul Rodrigues

O que comemorar nos 382 anos de Penedo? Muita história, e poucas glórias atualmente.

Dos colonizadores aos tempos atuais passamos pela roda gigante; já fomos grande e hoje somos pequenos.

créditos Raul Rodrigues

Dita e cantada como uma das cidades mais linda das Alagoas, banhada pelas águas do rio São Francisco, uma das suas maiores riquezas, povoada por vários povos, holandeses, portugueses, alemães, que deixaram as suas marcas em edificações seculares, avanços do mundo moderno de onde vieram, e cultura como base para as futuras gerações. Este seria um breve resumo histórico da cidade dos sobrados, das ruas estreitas e largas avenidas.

Marco de desenvolvimento quando o progresso dependia das hidrovias, ao se tratar do principal porto das entradas e bandeiras que dependessem do rio São Francisco. O então caudaloso São Francisco. Aqui tudo parava para ficar, ou para continuar a sua viagem rio a cima, mas sempre mantendo relação com Penedo. Isto nos fazia forte e progressista. Por aqui passava todo o progresso de toda a região San Franciscana. Daí termos hotéis, agencias bancárias, alfandega, e uma representação da Marinha do Brasil, cuja Agência Fluvial ainda permanece até hoje. Tivemos até o sindicato dos Marítimos tamanho o movimento no porto da princesa do baixo São Francisco, cuja sede ficava localizada na antiga Casa Bahia, atual Super Moda.

Por influência das famílias Peixoto e Gonçalves, fomos recordista em avanços na tecnologia com abastecimento energia elétrica movida a gerador, telefonia, e conquistamos o posto de melhor cidade do interior entre Alagoas e Sergipe, com as melhores casas de espetáculos – Theatro Sete de Setembro e os Cinemas, Cine Penedo e Cine São Francisco, este último mais moderno do Norte e Nordeste quando da sua inauguração. No fim dos anos 50, com elevador e tela Cinemascope com novecentos lugares totalmente acolchoados com ar condicionado central. 

Fomos a maior referência de feira livre em todo o baixo São Francisco. Aglutinávamos aqui mais quinze municípios a cada final de semana nas feiras de sextas e sábados quando parecíamos – e de fato éramos – a El Dourada entre o mar e o sertão. Tudo que subia o rio passava por Penedo, e tudo que descia vinha com destina a Penedo.

Hoje não vivemos esse momento de glórias. Sobrevivemos do que nos oferecem e não do que precisamos. Recordista em conjuntos habitacionais para um povo desempregado, quando na verdade a redenção seria um Distrito Industrial funcionando. Recordista em obras, quando na verdade descaracterizamos parte da nossa história com a invenção do Largo do São Gonçalo. Modificamos a área visitada por Dom Pedro II, pelo Presidente Getúlio Vargas, e disto ninguém pode se eximir de culpa pelo dar a ordem de serviço ou pela omissão do silêncio. As referências que já fomos perdemos; na saúde e educação nos tornamos dependentes de Arapiraca, Coruripe e Maceió, em Alagoas, e Aracaju em Sergipe. Empobrecemos e não podemos negar.

Ficamos tão pobres que nossos representantes passaram a ser de fora. Dos prefeitos aos secretários, perdemos nossa identidade, mas ainda podemos resgatá-la. Basta contarmos amanhã uma nova história.
 


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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