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Após abalos sísmicos em Maceió, dados apontam pequeno tremor em Penedo

Sociedade, Poder Público e especialistas se unem por respostas sobre tremor registrado em Maceió

11/03/2018 por Redação

Mesmo considerado de baixa magnitude (2,5 na escala Richter), o tremor de terra registrado no sábado, dia 03 de março, em vários bairros da capital alagoana, dominou as conversas durante toda a semana e segue movimentando o interesse da população, de políticos e estudiosos. A falta de respostas concretas acerca das possíveis causas do abalo sísmico abriu espaço para suposições e deixou claro que a discussão está apenas começando.

 

Em busca dessas respostas, nesta segunda-feira, 12, técnicos da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, com as atribuições de Serviço Geológico do Brasil, chegam a Maceió para realizar um levantamento de dados e também avaliar as possíveis causas das rachaduras que apareceram em residências e ruas do bairro do Pinheiro, no dia 19 de fevereiro deste ano.

 

No mesmo dia e com o mesmo objetivo de buscar esclarecimentos a Câmara Municipal de Maceió (CMM) também realiza uma audiência pública, proposta pelo vereador Silvio Camelo (PV), a partir das 9h, para discutir o tema.

 

Devem participar do encontro, geólogos e especialistas em áreas afins, técnicos das secretarias do Meio Ambiente, Infraestrutura, Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Companhia de Saneamento (Casal), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), Defesa Civil, Instituto do Meio Ambiente (IMA) e ministérios públicos estadual e federal.

 

“Não há, ainda, como determinarmos ou definirmos o que realmente aconteceu no sábado em Maceió. Iniciei um estudo em 2000 que indicava fissuras no subsolo de Maceió. Porém, somente com a análise do Serviço Geológico do Brasil, que deve ser apresentar em 30 dias os resultados, é que teremos um posicionamento sobre o ocorrido”, destacou o geólogo e professor de Hidrologia do Cesmac, Ricardo Queiroz, uma das presenças confirmadas na audiência pública.

 

Sobre a vinda dos técnicos do CPRM para a capital alagoana nesta segunda-feira, o titular da Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos, explicou: “Desde que registramos estes fenômenos, buscamos o apoio da Defesa Civil Nacional e fomos orientados a viabilizar um estudo técnico aprofundado que nos ajude a identificar as causas destes tipos de ocorrências. Todas as coordenadas geográficas foram passadas aos técnicos para facilitar o diagnóstico, já que eles possuem o mapa fisiológico de todo o país”.

 

Audiência e boato

 

Na semana que passou, o abalo sísmico também foi debatido no auditório do CREA, quando especialistas informaram que ainda é precoce indicar com exatidão a origem dos tremores.  Na ocasião, o geólogo Ricardo Queiroz frisou a importância de ser realizado um detalhamento maior na área do Pinheiro, uma das mais afetadas, e disse não acreditar que o abalo tenha sido causado por problemas de engenharia ou meteorológico.

 

Sobre o boato que circulou, principalmente nas redes sociais, de que o tremor poderia ter ocorrido em razão da extração do sal-gema pela Braskem, o diretor de Relações Institucionais da empresa, Milton Pradines, afirmou à reportagem do CadaMinuto que a instituição não tem nada a ver com o fato e que vistorias realizadas em todas as instalações não detectaram falhas.

 

Na mesma semana, o Ministério Público Estadual (MP/AL) também entrou na discussão ao anunciar, por meio da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, que irá instaurar um procedimento preparatório (PP) para apurar as possíveis causas do tremor.

 

Susto

O tremor de terra registrado por volta das 14h30 do sábado, 03 de março, foi sentido em vários bairros, a exemplo de Jaraguá, Gruta, Farol, Feitosa, Mangabeiras, Serraria e, com maior intensidade, no Pinheiro e Bebedouro.

Uma moradora do Condomínio Jardim Vaticano, revelou que no momento do tremor estava deitada e chegou a acordar com o balanço. “Pensei que era a minha filha me acordando, porém ao me virar na cama vi que estava sozinha, só depois, após ver os grupos de WhatsApp, é que percebi o que de fato tinha acontecido”, contou.

Na mesma região, em Mangabeiras, outra testemunha relatou que estava sentada em frente ao computador quando sentiu o que considerou ter sido uma tontura. “Foi muito rápido, coisa de dois ou três segundos, mas intenso. Só entendi que não se tratava de um mal-estar quando comecei a ler relatos similares de pessoas que estavam em outros bairros, no mesmo horário”.

O registro mais grave, porém, aconteceu no bairro do Pinheiro, nas proximidades da Igreja Menino Jesus de Praga, onde equipes do Corpo de Bombeiros Militar (CBMAL) e da Defesa Civil Municipal constataram que o tremor provocou rachaduras nas paredes, no teto e no chão de algumas casas e edifícios.

O morador de uma residência no Pinheiro gravou um vídeo mostrando os danos causados no seu imóvel. Na filmagem que circulou nas redes sociais, é possível ver grandes rachaduras nas paredes, no teto e no piso da casa, cujo portão também foi danificado.

Tremores antigos

Dados do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) apontam que o primeiro tremor de terra registrado no território alagoano data de 1954, na cidade de Junqueiro, com magnitude de 3 graus na escala Richter.

De lá pra cá mais 41 ocorrências foram registradas, sendo 11 delas na cidade de Limoeiro do Anadia. Ainda segundo os dados da USP e da UnB, os maiores tremores (3,4) foram registrados em 1972, em Junqueiro, e em 2006, em São Brás.

Apesar de menor e sem o registro de vítimas, o tremor de Maceió já entrou, literalmente, no mapa e na história da cidade. Depois que as perguntas forem respondidas e o medo de um novo abalo, talvez maior, for dissipado, sobrará a história para contar por essa e outras gerações.


Fonte: cadaminuto-correiodpovo-al.com.br

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