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07.02.2018 - 19:38   por ROBERTA SCRIVANO E ANA PAULA RIBEIRO

Diante de possível prisão, mercado financeiro ignora Lula em encontro com presidenciáveis

Empresários festejam a possibilidade de o petista não participar da eleição

SÃO PAULO — Mesmo aparecendo em primeiro lugar nas pequisas de intenção de voto para a Presidência da República, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou fora da lista de convidados para um evento que reúne, em São Paulo, empresários e investidores brasileiros e internacionais e os presidenciáveis nas eleições de outubro. Até ano passado, Lula figurava na relação dos convidados do encontro. Com cerca de 2,5 mil pessoas, o 19º CEO Conference promove, desde terça-feira, discussões sobre os rumos da economia. Diante da possibilidade de prisão do petista, um discurso ganhou corpo nos últimos dois dias entre os financistas:

— Não queremos ouvir o que o Lula tem hoje para dizer — disse um dos convidados do evento, promovido pelo banco BTG, repetindo um mantra corrente no luxuoso hotel que reuniu o grupo. — O melhor dos mundos é Lula fora da corrida presidencial.

Os empresários arriscavam, em rodinhas de bate-papo, o prognóstico que eles consideram mais viável para acelerar a economia brasileira. Acreditam que, se Lula não participar da eleição, aumentam as chances de uma candidatura de centro, segundo eles, mais afinado com o setor produtivo.

O temor entre os empresários é de que Lula infle, durante eventual campanha, o discurso contrário à reforma previdenciária. Eles consideram que o petista tem, hoje, uma massa de votos proveniente justamente dos trabalhadores, principalmente no Norte e Nordeste, e sua posição poderia dificultar a aprovação da reforma no Congresso.

Na terça-feira, os convidados ouviram o pré-candidato do PSC, Jair Bolsonaro, que deve mudar de partido para disputar a Presidência. Assim como os demais convidados, Bolsonaro foi aplaudido e cumprimentado ao final de sua apresentação. Ao contrário dos demais, no entanto, foi quem mais fez a plateia rir, principalmente quando ironizou comentários sobre seus conhecimentos sobre o tema discutido no evento: "nem sei o que estou fazendo aqui, já que eu não entendo nada de economia".

Investidores internacionais também teriam mostrado interesse nas palavras do Bolsonaro, esperando que eles fossem convencidos de sua proposta para o setor, o que não teria acontecido nesse primeiro momento. O economista Paulo Guedes é visto como uma espécie de "assessor" para assuntos econômicos do candidato. Guedes é hoje dono da Bozano Investimento e foi fundador do Pactual, banco que se fundiu ao BTG, a instituição responsável pelo evento nesses dois dias.

Também participaram do evento o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara dos Deputado, Rodrigo Maia (DEM-RJ). No entanto, os radares pareciam voltados para dois nomes ausentes, o apresentador Luciano Huck e o governador Geraldo Alckmin. Ambos alegaram incompatibilidade de agendas.

— O nome de um outsider também deve ser considerado, ainda mais se apresentar uma política pró-reformas — reiterou um convidado.


Fonte: OGlobo

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