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10.01.2018 - 06:21   por Redação

Diálogo direto entre as Coreias reduz tensão mútua e afasta os EUA

Acordo para ida de delegação a Olimpíadas de Inverno gera chance de reaproximação

SEUL E PYONGYANG - A decisão das Coreias do Norte e Sul de abrir um canal para negociações e iniciar conversas militares com o objetivo de evitar conflitos acidentais — tomada no primeiro diálogo oficial entre as partes em mais de dois anos, em que foi acordada a participação norte-coreana nos Jogos Olímpicos de Inverno no país vizinho — sugere que, a partir de agora, a iniciativa das relações na península está nas mãos de Pyongyang e Seul, tirando, pelo menos momentaneamente, o governo americano da jogada. Num comunicado, a Coreia do Norte ressaltou que seu arsenal nuclear é voltado apenas para os EUA, e não para os “irmãos” sul-coreanos, a China ou a Rússia. Para analistas, se as conversações de fato levarem a negociações substanciais, isso poderia prejudicar as ameaças de guerra do presidente americano, Donald Trump, ao mesmo tempo em que diminuiria a pressão sobre a China para reforçar as sanções contra Pyongyang.

Em nota conjunta após 11 horas de encontro, a Coreia do Norte ainda prometeu enviar uma grande delegação para a Olimpíada de Inverno de Peyongchang, em fevereiro. Em resposta, os EUA afirmaram que a aproximação esportiva não deve prejudicar os esforços internacionais para isolar o regime norte-coreano. E poucos acreditam que o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, esteja motivado pelo espírito olímpico.

— Sua prioridade é afastar a ameaça do presidente Trump de tomar medidas militares contra seu governo e aliviar o impacto das sanções — explicou ao “New York Times” Paik Hak-soon, analista sênior do Instituto Sejong, na Coreia do Sul. — Pyeongchang oferece uma oportunidade perfeita.

A retórica cada vez mais agressiva de Trump — que na semana passada disse ter um botão nuclear “maior e mais poderoso” do que Kim Jong-un — também atemoriza os sul-coreanos, uma vez que a capital, Seul, fica a menos de 50Km da fronteira. Uma pesquisa recente do Instituto Pew mostrou que mais de 75% dos entrevistados na Coreia do Sul consideram Trump perigoso, o que favorece as iniciativas de aproximação do governo de Seul.

Além disso, apesar da inimizade de longa data, os sul-coreanos costumam torcer pelos atletas do Norte — o que Kim soube usar muito bem, segundo analistas. Em 2000, ano em que os países realizaram sua primeira reunião de cúpula, seus atletas marcharam juntos na abertura dos Jogos Olímpicos de Sydney, o que se repetiu em Atenas, em 2004.

— A diplomacia esportiva é um tema sedutor — lembrou Lee Sung-yoon, da Universidade Tufts, em Massachusetts. — Pyongyang tem todas as razões para encorajar os jogos e ser o centro das atenções.

Após o diálogo inicial, o governo sul-coreano disse estar preparado para suspender algumas sanções temporariamente para que autoridades norte-coreanas possam visitar a Coreia do Sul — além dos atletas, autoridades de alto escalão, torcedores, artistas e repórteres estarão presentes. A porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, por sua vez, saudou o envio da delegação, com ressalvas:

— Trabalharemos com Seul para garantir que o envio de uma equipe aos jogos não viole as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU.

Mas o tema não foi o único abordado no encontro bilateral. A Coreia do Sul pediu o fim de atos hostis da vizinha rival e solicitou o reinício de reuniões de familiares separados pela Guerra da Coreia (1950-1953) a tempo do feriado do Ano-Novo Lunar, em fevereiro. A Coreia do Norte, por sua vez, garantiu ter terminado os ajustes técnicos para restaurar uma linha direta militar com o vizinho, com comunicações prontas para serem retomadas hoje.

Países têm objetivos diferentes

O primeiro sinal de que as duas Coreias voltariam à mesa de negociações veio de Kim Jong-un. No discurso de Ano-Novo, o ditador disse esperar que os Jogos de Peyongchang fossem um sucesso, anunciando que cogitava enviar uma delegação. O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, rapidamente aprovou a ideia, e o ministro da Reunificação, Cho Myong-gyon, propôs o diálogo. Mesmo assim, os motivos da aproximação são bem diferentes:

— O Norte quer que o mundo o acate como um Estado nuclear. O Sul promove a paz para desnuclearizar o Norte — afirmou ao “New York Times” Koh Yu-hwan, professor da Universidade Dongguk, em Seul. — De qualquer maneira, a ofensiva de paz de Kim leva aos primeiros passos numa transição do confronto e tensões crescentes para a paz.


Fonte: oglobo.com

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