13/11/2017 05:23 por FRANCISCO LEALI

Análise: Torquato, um ministro contrariado

Como novo diretor não era o nome preferido de Torquato, relação entre os dois começou fria

BRASÍLIA — A posse do novo diretor da Polícia Federal, Fernando Segóvia, aconteceu a portas fechadas na última sexta-feira. No dia 20, está prometida uma solenidade com pompa e circunstância para discursos e fotos. Antes não era assim.

Leandro Daiello, o antecessor, tomou posse numa cerimônia na própria PF. O então ministro José Eduardo Cardozo foi lá, e prometeu trabalho conjunto, entoando o bordão "um por todos, todos por um".

O atual ministro Torquato Jardim deve ir na solenidade do dia 20. Mas, embora aprecie o idioma francês, não está em clima de Alexandre Dumas, que, como se sabe, é o autor dos Três Mosqueteiros de onde vem o tal bordão.

O ministro tinha outro nome para o cargo. Foi atropelado pelo Palácio do Planalto que escolheu Segóvia. Como serão as relações entre o diretor da PF e seu chefe imediato ainda é cedo para prever.

A posse indica, no entanto, que Torquato ainda está contrariado. Chamou Segóvia a seu gabinete, o apresentou aos secretários da Pasta, falou para se acertarem, assinou o termo de posse e só.

Nos idos de 1999, o então ministro Renan Calheiros teve que dar posse a um diretor da PF contra vontade. Na época, o senador alagoano montou uma solenidade cheia de convidados no Ministério numa posse que durou apenas 18 segundos. No instante seguinte, anunciou que pedira para o empossado ser investigado por envolvimento de tortura durante a ditadura. João Batista Campelo durou sete dias no cargo.

Hoje, a história é diferente. Segóvia entra com apoio de políticos, mas também de boa parte dos colegas que não deixam de apostar na sua seriedade para comandar a instituição. E, ao contrário de Renan, Torquato não é político, nem tem partido, estando no posto sob indicação direta do presidente da República.

Advogado eleitoral, sabe bem quando os ventos da política estão contra ou a favor. Torquato pode querer velejar em mar revolto, relevando o episódio PF. Mas pode também sentir saudades dos tempos em que sua sinceridade verbal não era alvo de conspirações palacianas.

Para onde pretende manejar seu barco? Só ele mesmo saberá.


Fonte: noticiasaominuto.com.br

Tags: análise: torquato - um ministro contrariado

correiodopovo-al.com.br © 2012
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página sem a nossa autorização.