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11.11.2017 - 15:24   por GUSTAVO GOULART

Parentes acusam policiais de chacina em São Gonçalo: ‘Corpos em blindado da Core’

Até o momento, nenhum dos sete corpos levados para o IML foi identificado

RIO - Parentes dos mortos no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na madrugada deste sábado, relataram que os policiais fizeram uma chacina na localidade conhecida como Conjunto da Marinha. Eles afirmam que a operação foi realizada por policiais encapuzados que chegaram em dois blindados da Core. A Polícia Civil ainda não confirma se houve operação na comunidade. Segundo relatos nas redes sociais, as vítimas estavam em um baile funk na localidade da Marinha. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí investiga o caso.

Até o momento, nenhum dos sete corpos levados para o IML foi identificado. Alguns parentes de mortos aguardam o chamado para fazer o reconhecimento. Um perito do IML que chegou para o plantão disse que foi orientado pelo seu chefe a relatar que os corpos foram levados para o órgão sem guias de remoção. Isso significa que não houve perícia no local.

Encarregada geral de uma empresa de reciclagem em Itaboraí, Joelma Couto Melanes, de 38 anos, mãe de um dos mortos, Márcio Melanes Sabino, de 21 anos, denunciou ter sido ameaçada de morte ao tentar se aproximar do corpo do filho. Ela admitiu que o filho, depois de trabalhar com ela na empresa de reciclagem, passou a ter envolvimento com o tráfico de drogas na região.

— Quando soube que alguma coisa tinha acontecido no Salgueiro corri com meu marido de carro para lá e, quando fui me aproximar do corpo do meu filho, um policial disse que se nós não saíssemos de lá, ele ia dar um tiro na nossa cara. Disse para nós sairmos de perto porque ia haver perícia. Eles estavam xingando todo mundo que passava — relatou.

Segundo ela e o marido, o técnico da Enel Cláudio Lopes, de 50 anos, que a acompanhava, não houve perícia alguma:

— Os corpos foram colocados dentro de um blindado usado na operação da Core e dentro de um rabecão que foi chamado às pressas e escoltado pelos policiais até o local onde os corpos estavam. Nós seguimos de carro o rabecão onde o corpo do nosso filho foi colocado e chegamos juntos ao IML (em Tribobó). Mas disseram que o corpo não tinha vindo para cá. Fizeram a gente ir para outros lugares em vão.

Os parentes disseram que quando o blindado chegou houve muita correria, e que algumas pessoas foram atingidas por policiais que estavam no morro conhecido como Pé da Serra disparando com armas dotadas de mira a laser. Ao lado do corpo de Márcio, havia outros dois corpos. Segunda família, o corpo de um rapaz foi colocado num blindado da polícia e eles não viram o veículo chegar ao IML.

A mãe de Márcio Melanes se mudou do Salgueiro para Itaboraí, mas o filho resolveu ficar. Ele deixa uma filha de 3 anos. Segundo a família, no momento em que foi morto, ele não estava armado. Os outros corpos estavam na localidade conhecida como Palmeiras, no Salgueiro, perto do Conjunto da Marinha.

Na manhã desta sexta-feira, um policial militar do 7º BPM (São Gonçalo) morreu depois de ser baleado no pescoço durante um confronto com bandidos na comunidade do Brejal, em São Gonçalo. Outro agente ficou ferido na troca de tiros, que também deixou um suspeito morto. O soldado, identificado como Joubert dos Santos de Lima, de 26 anos, é o 117º policial morto no estado este ano. Ele chegou a ser socorrido ao Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, mas não resistiu.

MEGAOPERAÇÃO DAS FORÇAS DE SEGURANÇA

No início da semana, Policias civis e militares e forças federais realizaram uma megaoperação no Complexo do Salgueiro e na comunidade Anaia, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Participaram da ação homens das Forças Armadas, da Força Nacional de Segurança Pública e das polícia Federal e Rodoviária Federal. A região é mapeada como ponto de circulação do tráfico de drogas.

Ao todo, 3,5 mil militares, 24 blindados e 18 embarcações das Forças Armadas atuaram na operação que terminou com oito presos e um menor detido. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, seis carros e três motos roubados foram recuperados. A polícia ainda apreendeu drogas, munição e material para endolação de entorpecentes.

Uma Mercedes-Benz vermelha modelo SLK 250 se destacou entre os veículo apreendidos durante a megaoperação. Era neste veículo, com placa de Cabo Frio e que foi roubado em julho deste ano, em São Gonçalo, que o traficante Thomaz Jhayson Vieira Gomes, o 2N, chefe do tráfico na região, costumava circular. O modelo de 2013 é avaliado em mais de R$ 136 mil reais pela tabela Fipe. Um modelo novo do esportivo, que possui motor 1.8 CGI (turbo), bancos de couro e 16 válvulas, pode custar até R$ 250 mil. 


Fonte: OGlobo.com

Tags: parentes acusam policiais de chacina em são gonçalo: ‘corpos em blindado da core’

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