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13.08.2017 - 12:28   por VIVIAN OSWALD, ESPECIAL PARA O GLOBO

Guerra seria desastrosa para as duas Coreias e o Japão

Analistas consideram consequências dramáticas em possível intervenção militar

PEQUIM — Ninguém ousa se comprometer com previsões certeiras para o futuro da Península Coreana. Otimismo em excesso, ou não, especialistas consideram pouco provável um conflito. Este parece ser o consenso até agora. O motivo é que uma intervenção militar teria consequências desastrosas — sobretudo para as duas Coreias e o Japão. Fala-se em um potencial de mortes de dezenas de milhares, em uma batalha convencional de poucos dias, a dezenas milhões de mortos, no cenário mais sombrio, o de uma guerra nuclear. Neste caso, o mundo poderia estar diante do maior número de vítimas desde a Segunda Guerra Mundial.

O último teste de míssil balístico de longo alcance, o chamado ICBM, realizado por Pyongyang, tratou de jogar mais lenha na fogueira diplomática. Mostrou que as bombas do regime de Kim Jong-un têm finalmente capacidade de atingir os Estados Unidos. Tudo o que os americanos queriam evitar. Se a leitura geral é a de que as provocações cada vez mais ostensivas não passam de um jogo de palavras, o temor é que, diante de um erro de interpretação ou de cálculo, se transformem na centelha necessária para uma nova guerra.

Analistas ouvidos pelo GLOBO nos quatro países que seriam mais afetados por um conflito classificam as consequências como dramáticas.

— A via militar é muito arriscada para os Estados Unidos. Mesmo com seus armamentos e serviço de Inteligência avançados, não teriam como destruir o arsenal norte-coreano, nem conter as chances de uma retaliação nuclear — avalia Tong Zhao, especialista em Península Coreana do Centro Carnegie-Tsinghua para Política Global em Pequim.

RÁPIDO CONTRA-ATAQUE

Baseado na Coreia do Sul, Robert Kelly, professor do Departamento de Ciência Política e Diplomacia da Universidade Nacional de Busan, vê pouca chance de um ataque americano. “É muito ruim que a Coreia do Norte tenha esses armamentos, mas podemos nos adaptar, como fizemos com o arsenal nuclear de outros países”, diz em referência a Rússia, China e Paquistão.

— É improvável que os Estados Unidos ataquem e menos ainda que a Coreia do Norte o faça primeiro. Mas improvável não significa 0% — completa Robert Dujarric, do Instituto de Estudos Asiáticos Contemporâneos da Universidade Temple, em Tóquio.

Com 25 milhões de habitantes, a Coreia do Norte é o país com quarto maior exército em números absolutos, com um contingente de 1,1 milhão a 1,2 milhão de pessoas. Parte de seu arsenal está escondida em túneis profundos para deixá-la longe dos olhos inimigos. Isso aumenta as chances de um rápido contra-ataque, caso o país seja atingido pelos EUA. Especula-se que agiria depressa até mesmo pela sua capacidade restrita de suprir o imenso exército com alimentos e armas.

Segundo um experiente diplomata que acompanha a Península Coreana, o primeiro alvo a ser escolhido pelo regime de Kim Jong-un seria a Coreia do Sul. E, para os sul-coreanos, já não faz diferença que tipo de armamentos seria utilizado. Sejam eles convencionais ou não, a capacidade de estrago é gigantesca, pois metade dos 50 milhões de habitantes do país está na região da capital, Seul, a apenas 50 quilômetros da fronteira. Ele afirma que é extremamente difícil levar todos para refúgios.

— E Pyongyang não tem como se manter em combate por muito tempo. O problema é que, se sentirem que não têm nada a perder, podem retaliar com os mísseis de longa distância e até bombas nucleares. Aí, não dá nem para saber o que pode acontecer — disse o diplomata.

Com uma população de 127 milhões, o Japão tem 38 milhões de pessoas em Tóquio. Kim Jong-un já provou que seus mísseis podem chegar até lá. Há quem diga que, a depender das opções, pode destruir a capital japonesa. Coreia do Sul e Japão são importantes aliados dos EUA, que poderiam sair em sua defesa com ainda mais intensidade. Os americanos precisam de duas a quatro semanas para trazer armamentos mais pesados para perto da Coreia do Norte.


E a reação de Washington poderia desencadear o envolvimento de países como a China e a Rússia, caso se sintam ameaçados. Em recente encontro em Moscou, o presidente chinês, Xi Jinping, e o russo, Vladimir Putin, defenderam a solução que fica conhecida como dupla suspensão: norte-coreanos desistem de seus programas, e americanos interrompem exercícios militares e suspendem o novo escudo antimísseis em conclusão na Coreia do Sul, o Thaad. Na noite de anteontem, Xi conversou por telefone com Trump e pediu que se evite uma escalada ainda maior de provocações de lado a lado.

Na sexta-feira, porém, ambos os lados fincaram pé. Em conversa por telefone com o presidente francês, Emmanuel Macron, Trump disse que a opção militar segue aberta. “Se o governo Trump não quiser que o império americano encontre seu trágico fim em seu mandato, é melhor que aja e fale apropriadamente”, provocou, por sua vez, o jornal estatal norte-coreano “Minju Joson”.

Tudo isso teria ainda implicações econômicas sem precedentes. Seul é o QG de várias grandes multinacionais. Coreia do Sul e Japão têm, juntos, cerca de 10% do PIB mundial. Uma guerra poderia provocar também um movimento de migração em massa — um dos grandes temores da China, que poderia ter de receber milhões de norte-coreanos.


Fonte: OGlobo.com

Tags: guerra seria desastrosa para as duas coreias e o japão

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