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16.07.2017 - 19:36   por Redação

Venezuela: Ataque de paramilitares deixa ao menos um morto e três feridos

Mais de 300 pessoas se protegeram em igreja enquanto grupo atirava e jogava gás lacrimogêneo

CARACAS — O Ministério Público venezuelano confirmou a morte de uma pessoa durante um ataque de um grupo paramilitar contra um centro de votação do plesbicito em uma igreja em Catia, realizado neste domingo pela oposição na Venezuela. Outras três pessoas ficaram feridas gravemente. No Twitter, a procuradoria afirmou que investiga a morte e os feridos causados pela "situação irregular".

A pessoa morta foi identificada como a enfermeira Xiomara Scott, de 61 anos. Os grupos pró-governo atacaram o lugar com tiros e bombas de gás lacrimogêneo. Mais de 300 pessoas se protegeram da confusão dentro da igreja e deixaram o local após mais de duas horas de espera. Segundo relatos, no local havia crianças e idosos.

Anteriormente, o porta-voz da coalizão opositora Carlos Ocariz tinha dito em uma entrevista coletiva que havia dois mortos e quatro feridos, mas depois o Ministério Público divulgou o número oficial de um morto e três feridos. O líder opositor Henrique Capriles divulgou em seu Twitter um vídeo que mostra o momento em que os grupos paramilitares chegam na concentração de pessoas que se reuniam de forma pacífica.

Através das redes sociais, vários jornalistas divulgaram imagens e vídeos onde se vê uma pessoa estirada em uma avenida.

— Não tinha acontecido nada sério, nada grave, nenhuma tragédia a lamentar, mas Maduro e seu regime viram uma participação em massa no plebiscito e se apavoraram — declarou em entrevista coletiva a ex-deputada da oposição María Corina Machado, ao responsabilizar o presidente. — Esses grupos paramilitares agiram à vontade, sem que os corpos de segurança civis e militares agissem.

A deputada Marialbert Barrios também responsabilizou Maduro pelo ato violento:

"Ele é o único responsável por esta barbárie. Nunca mais poderão zombar de Catia. Esse povo decidiu mudar", afirmou Marialbert no Twitter.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP, na sigla original) denunciou que o jornalista Luis Olavarrieta foi ferido e roubado enquanto foi detido brevemente por desconhecidos. O repórter foi levado a um hospital para ser tratado de uma ferida na cabeça após ser encontrado.

Milhares de venezuelanos votam neste domingo em um plebiscito contra o governo de Nicolás Maduro, com urnas abertas por volta das 7h no horário local (8h, no horário de Brasília). Os venezuelanos continuam chegando para manifestar seu descontentamento com o presidente, e a oposiçao afirma que enquanto houver pessoas na fila, os centros de votação continuaram abertos.

Capriles divulgou mais cedo no Twitter um vídeo da concentração de pessoas em Catia votando:

"Catia madurista? Jamais! Vamos, Venezuela", escreveu Capriles.

Os opositores venezuelanos votam em um plebiscito simbólico para mostrar o rechaço a Maduro e a sua proposta de Assembleia Constituinte, aumentando a pressão por uma mudança de governo após quase quatro meses de violentos protestos. Os eleitores, muitos vestidos de brancos ou com acessórios com as cores da bandeira nacional, lotaram as urnas instaladas pela coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) em diversas cidades por todo o país.

Sem o aval do poder eleitoral, o plebiscito não é vinculante, mas a oposição confia em angariar o repúdio à Constituinte para obrigar o governo a realizar mudanças. Segundo pesquisas da Datanálisis, 70% dos venezuelanos não concordam com a proposta de Maduro de reescrever a Carta Magna.

Os apoiadores de Maduro também votam neste domingo em uma simulação organizada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado de ser oficialista, da eleição de 30 de julho dos 545 integrantes da Assembleia Constituinte. O presidente venezuelano afirma que a Constituinte trará paz e recuperação econômica. Sua mulher, Cilia Flores, candidata na Constituinte, pediu que os seguidores de seu marido votem na simulação para dar oportunidade ao presidente para que em duas semanas haja uma "vitória perfeita".

A Venezuela vive uma forte agitação com protestos que já deixaram quase 100 mortos desde o dia 1º de abril, em meio a uma das piores crises econômicas de sua história, que provoca uma severa escassez e uma inflação de três dígidos.


Fonte: OGlobo.com - com agências internacionais

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