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15.07.2017 - 20:22   por Lívia Machado

Protesto na casa de Doria tem tumulto

Guarda Civil Metropolitana interveio e levou manifestante para a delegacia sob a acusação de que ele pichou a casa do prefeito, localizada no Jardim Europa. Grupo é contra plano de desestatização.

Uma manifestação na frente da casa do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), neste sábado (15), acabou em tumulto e na prisão de um jovem pela Guarda Civil Metropolitana Metropolitana (GCM) acusado pelos agentes de pichar a residência do prefeito, localizada no Jardim Europa, zona nobre da capital.

O evento chamado "escracho" foi realizado pelo movimento Levante Popular da Juventude, segundo os Jornalistas Livres, que transmitiu o ato pelo Facebook.

Na transmissão, é possível ver guardas imobilizando um dos jovens, já ao final do ato e não mais em frente à casa de Doria. Três GCMs carregaram o rapaz segurando-o pelos braços e pernas até um veículo da Guarda. Questionados pelos participantes, os guardas afirmaram que ele seria levado ao 78 DP sob acusação de pichação e que havia sido identificado por câmeras de segurança.

Policiais de plantão no 78 DP disseram que a Rua Itália pertence à área do 15 DP, no Itaim Bibi que, aos finais de semana, tem as ocorrências registradas no 14 DP, em Pinheiros.

No muro da casa de Doria, foi escrita a frase "SP não está à venda". A mesma frase apareceu também em cartazes e faixas levadas pelos manifestantes.

Eles protestaram contra o plano de privatização de Doria e contra a recente restrição imposta no uso do benefício do transporte gratuito para estudantes. A gestão João Doria determinou que os estudantes poderão fazer quatro viagens durante duas horas e, num outro período do dia, mais quatro viagens durante duas horas. Antes, o estudante podia fazer até oito embarques no ônibus durante as 24h do dia.

Segundo Doria, a medida permitirá uma economia de R$ 70 milhões neste ano e não interfere nas viagens feitas pelo estudante com objetivo educacional. A medida, porém, desagradou movimentos estudantis, que afirmam que a restrição prejudica a mobilidade do estudante e reduz ainda sua possibilidade de aprender realizando atividades alternativas às aulas diárias.

PT
Por volta das 12h, o prefeito João Doria concedeu entrevista coletiva na porta de casa e atribuiu o protesto a movimentos sociais ligados ao PT e a partidos de esquerda. "Queria registrar que hoje pela manhã minha residência foi cercada por manifestantes que picharam o muro da minha casa, ameaçaram agressões aos seguranças que estavam aqui em frente, e fizeram uma manifestação em nome do MTST, do PT, e de outros partidos esquerdistas protestando principalmente contra o programa de privatização e desestatização que nós estamos, neste momento, deliberando com a Câmara municipal de São Paulo".

À reportagem do G1, presidente do diretório municipal do PT, Paulo Fiorilo, disse que o Partido dos Trabalhadores não participou do protesto tampouco foi o responsável pela convocação do ato e rebateu às críticas de Doria.

"O Doria deveria governar a cidade, porque sempre que é questionado, ataca o PT e aos petistas. O prefeito tem deixado muito a desejar. Principalmente na zeladoria dessa cidade, e na periferia, que está abandonada. Ele deveria parar de fazer o debate ideológico, e começar a governar de verdade. Já que de gestão parece que ele entende muito pouco. Não organizamos esse protesto. E tem muita gente na cidade contraria ao que ele está fazendo."

Em nota, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) afirma que "é frontalmente contrário ao projeto de privatizações que entrega o patrimônio público, mas não fez nenhuma manifestação na casa de Doria neste sábado."

Doria criticou a escolha do local de protesto e defendeu que sua residência "não é local de manifestação. Os que desejarem fazer manifestação que façam em frente à Prefeitura ou em outros locais". O prefeito afirmou ainda que as manifestações contrárias à sua gestão não vão "inibir" suas propostas de desestatização.

Ainda de acordo com o prefeito, as câmeras de segurança de sua residência registraram o momento da pichação e as imagens foram encaminhadas à Guarda Civil Metropolitana, que estava no local durante o protesto. Entretanto, o suspeito foi detido pelos agentes quase uma hora depois do início do ato, quando a manifestação já se dispersava e não estava mais em frente à casa de Doria. "Foi preso porque foi identificado. As imagens estão na delegacia", limitou-se a dizer.

Um advogado que representa os manifestantes disse que não há indícios de que o rapaz detido tenha pichado o muro da casa e que ele foi escolhido aleatoriamente pela GCM.

De acordo com Doria, o pichador será indiciado por crime com pena de um a 12 meses e também a pena judicial da Lei Cidade Linda, que estabelece multa de R$ 5 mil em caso de patrimônio particular. A lei é de iniciativa do próprio prefeito e foi aprovada pela Câmara.

Às 13h, uma equipe de limpeza já havia chegado à casa de João Doria para remover a pichação.


Fonte: G1 São Paulo

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