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19.06.2017 - 07:57   por Redação

Com mais drama que técnica, dupla Fla-Flu encontra razões para lamentar empate

Alto investimento rubro-negro e gosto de vitória no lado tricolor: os contrastes do clássico

O clássico foi mais dramático e tenso, em especial nos minutos finais, do que propriamente bem jogado, técnico. Mas também é impossível desprezar um Fla-Flu cujo desfecho só é conhecido com um gol aos 49 minutos do segundo tempo.

É curioso que, vivendo realidades tão distintas, Flamengo e Fluminense saiam de um empate com sensações similares: de que deixaram pontos pelo caminho, de que têm motivos para lamentar. O 2 a 2 deste domingo, no Maracanã, não foi bom para ninguém.

Porque, em relação ao Flamengo, é natural e justo esperar mais rendimento. O investimento é alto e o elenco apresenta mais opções com a volta de titulares. Teve algum crescimento na segunda etapa, com uma formação mais leve, embora mais exposta, após um péssimo primeiro tempo. Mas, nos momentos de domínio, sofre para decidir. Pressionado para vencer logo, acrescentar títulos à reforma feita no clube, parece instável em momentos difíceis dos jogos.

Já este Fluminense é um exercício de resistência, como se jogasse um campeonato diferente do Flamengo. Ao menos, o bom senso indica que a exigência seja outra, embora seja difícil, em clubes grandes, convencer o torcedor disso. Tanto que eram raros os tricolores dentre os 37 mil presentes, ontem. O Fluminense iniciou e terminou o jogo com sete jogadores de 24 anos ou menos. Aponta para o futuro. Se a sua travessia no Campeonato Brasileiro já anunciava uma aposta em jovens, o que dizer da lista de lesões que reduziu ainda mais as opções e a carga de experiência do time? No contexto, o empate não seria ruim, ainda mais tendo achado o gol do 2 a 1 quando já produzia muito pouco, apostava num contra-ataque no segundo tempo. Mas é difícil digerir o empate sofrido tão tarde.

JOGO SEM CONTROLE

Há jogos em que os erros técnicos comprometem a parte tática. Há aqueles em que ocorre o contrário. O primeiro tempo do Fla-Flu era uma terrível mistura das duas coisas. A sensação era de uma produção em série de contragolpes, idas e vindas, num jogo sem controle, sem pausa. Mas também sem inspiração. Um pouco por característica, um pouco para evitar riscos pela falta de velocidade, as duas defesas jogavam muito próximas às suas áreas. Vastos espaços se abriam, especialmente no meio-campo. Num jogo de mais pressa do que ordem, havia mais iniciativas individuais do que coletivas. E jorravam erros técnicos, perdas de bola. O jogo não parava, mas as chances de gol também não surgiam. Era um Fla-Flu em permanente transição de uma área à outra, sem nunca chegar à conclusão.

O Fluminense, que pressionara nos minutos iniciais, parecia um pouco mais assentado. Em meio a tantos erros, era do tricolor o jogador que iluminava a partida: Wendel, em nova exibição típica do meio-campista que cumpre uma infinidade de funções no campo. Se era para existir um gol no primeiro tempo, que fosse dele, em lance iniciado por ele. E bem assessorado por Gustavo Scarpa.

O Flamengo tinha Diego sofrendo para cobrir a imensa porção de campo por onde se movia e Vinícius Junior, outra vez, com dificuldades para dar sequência aos lances. Seus inícios de partida são sempre mais participativos, indício de que o físico o consome. É uma natural transição para um jovem de 16 anos. Resta saber se Zé Ricardo continuará a usá-lo de início ou voltará a aproveitar rivais desgastados no fim dos jogos. Neste domingo, tirou o jovem no intervalo, dando lugar a Berrío.

O treinador, aliás, acertou ao mandar a campo um meio-campo mais leve no segundo tempo, com Willian Arão no lugar de Márcio Araújo. Ficou claro o quanto a bola mais bem tocada desde trás, com mais acerto nos passes, pode fazer diferença para quem pretende construir o jogo. Havia mais controle em campo, de um Flamengo que se aproximava mais para trocar passes. Assim surgiu o gol de Diego, que crescera no jogo, em lance originado de um impedimento de Éverton. Em seguida, o mesmo Éverton quase marcou em rebote de Júlio César.

DESGASTE TRICOLOR

Na medida em que crescia o Flamengo, lidava com um drama o Fluminense. O desgaste físico de seu jovem time, que jogara na quinta-feira, pesava. Havia pouca saída a não ser marcar atrás e esperar uma estocada. Para piorar, perdeu o jovem lateral Mascarenhas, que estreou bem, e Wendel, ambos esgotados.

O que faltou ao Flamengo para definir o jogo? Primeiro que, aos poucos, com o rival mais posicionado atrás, voltaram a minguar as alternativas de criação. E também ressurgiu a velha falta de precisão, como no contra-ataque interrompido por passe errado de Arão. E ao jogar mais adiantado, o Flamengo sempre corre o risco de ser pego num contragolpe. Juan não conseguiu correr atrás de Richarlison e cometeu o pênalti: no gol de Henrique Dourado, a vantagem se oferecia ao tricolor a dez minutos do fim.

O Fluminense entregou o que tinha. Ainda perdeu Orejuela e, nos acréscimos, viu Richarlison ter que ser atendido à beira do campo. Foi o exato momento em que Trauco, em sua especialidade, acertou ótimo chute. Um alívio para a maioria rubro-negra no estádio.

Acabava em empate um clássico de contrastes. O Flamengo ainda espera por mais estreias de reforços embora, tanto quanto nomes, precise evoluir coletivamente. No Fluminense, que anunciou que não vai contratar, a urgência é por recuperar seus titulares ainda ausentes. E reencontrar uma travessia tranquila com sua jovem e aguerrida equipe.


Fonte: GloboEsporte.com

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