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19.05.2017 - 09:03   por MARTHA BECK E CRISTIANE JUNGBLUT

Conselheiros de Temer divergem sobre renúncia do presidente

Decisão foi defender investigação durante pronunciamento em que permaneceu no cargo

BRASÍLIA — O presidente Michel Temer foi aconselhado por alguns assessores a renunciar nesta quinta-feira, enquanto ministros mais próximos o incentivaram a não ceder às pressões e resistir. Depois de uma série de reuniões com aliados mais próximos preferiu ir para o enfrentamento. A avaliação final é que Temer teria que se defender e que só sairia perdendo ao deixar o cargo, até porque perderia o foro privilegiado em eventual investigação na Lava-Jato.

Em seu discurso, Temer acabou adotando o tom do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Ele repetiu o discurso das conquistas econômicas e os perigos para o país com a estabilidade. O roteiro foi dos ministros Padilha e de Moreira Franco, que deflagraram a estratégia em vídeos pela manhã. Padilha era um dos mais enfáticos para Temer não ceder, pelo menos por enquanto.

Os mais experientes lembraram ao presidente que um processo de impeachment é longo e que ele pode ficar mais protegido no cargo. Além disso, junto à população, ele já é criticado por ter apoiado o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Por isso, a experiência dos mais antigos prevaleceu em não ceder agora.

Temer estava tenso, segundo um amigo, e avisou que na hora derradeira seria "sua" e apenas sua a decisão. A decisão foi defender uma investigação extensa de todas as denúncias e se descolar de interlocutores que aparecem na delação premiada da JBS falando em seu nome.

É o caso do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), assessor próximo de Temer. Ele aparece em delação feita pelo presidente da JBS, Joesley Batista, discutindo interesses da empresa no governo. Rocha Loures também foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviada por Joesley.

— O presidente nunca autorizou ninguém a falar em seu nome. Isso tem que ser amplamente investigado. Ele não cogita qualquer tipo de saída que não seja o esclarecimento total dos fatos — disse um interlocutor do Palácio do Planalto.

TEMER EVITA DEBANDADA

Na delação também existem áudios que comprometem Temer, mas o Planalto ainda não tinha tido acesso a eles quando o presidente fez o pronunciamento na tarde desta quinta-feira afirmando que não renunciaria. Embora soubesse que os áudios poderiam agravar sua situação, Temer não quis esperar para não fortalecer ainda mais os rumores de que seu governo se tornou insustentável.

— Não dava para esperar mais. Ele (Temer) ainda não tinha conseguido os áudios, mas tinha que falar logo para acabar com essa coisa de renúncia — disse esse aliado.

O presidente passou a tarde desta quinta-feira tentando evitar uma debandada de ministros que ameaçaram deixar o cargo. Foi caso dos ministros das Cidades, Bruno Araújo, da Defesa, Raul Jungman, e da Cultura, Roberto Freire.

Temer também conversou com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sobre a agenda econômica. A orientação foi acalmar o mercado e continuar tocando as reformas. O Planalto considera que, apesar da suspensão do calendário de tramitação da reforma trabalhista, ela tem todas as condições de ser aprovada.

A reforma da Previdência, por sua vez, ficou gravemente comprometida. Se antes da delação da JBS, o governo já não tinha os votos necessários para passar o texto no plenário na Câmara, com o agravamento da crise, a possibilidade de aprovação ficou mais remota. Os aliados do presidente já começaram a fazer um balanço do que Temer já conseguiu:

— Vamos conclamar a base a trabalhar pelas reformas. Vamos conseguir fazer a reforma trabalhista e já fizemos avanços como a aprovação da terceirização, o teto dos gastos e ajuda aos estados. A reforma da Previdência é a cereja do bolo. Mas se não chegar, paciência, vai ficar para o próximo governo — disse um interlocutor do presidente.


Fonte: OGlobo.com

Tags: conselheiros de temer divergem sobre renúncia do presidente

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