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19.04.2017 - 19:45   por Ricardo Mota

As perguntas que o coronel Lima Junior não respondeu sobre a violência

Governo diz que reduziu violência; secretário de defesa social diz que não. Quem está certo?

O aumento dos assassinatos em Alagoas se deve à guerra entre as facções.

Não de se dizer que o responsável pela afirmação acima, o secretário de Segurança, coronel Lima Junior, esteja errado.

Mas a verdade, me parece, vai muito além da visão que o secretário tem do problema.

Não é uma questão de “filósofos”, como diriam alguns palacianos, mas uma reflexão necessária a todos os que têm compromisso com a vida em Alagoas – inclusive o coronel, um homem formado na instituição que ele dirige bem e por ela foi preparado para o enfrentamento à violência.

Isto só não basta para mudar uma realidade que só piora com a “guerra das facções”.

Ontem, um oficial da PM, muito estudioso, expandindo seus conhecimentos para além da sua área específica de atuação, me disse o seguinte sobre a corporação que ele integra:

– A PM está preparada para fazer o policiamento ostensivo, também para o enfrentamento à criminalidade, mas não para a prevenção à violência.

Eis o fato, com as necessárias exceções.

Até porque, ressalto, a prevenção não deve ser um trabalho de polícia – intimidação dos criminosos, sim –, mas precisa ser uma política de governo.

O que significa investir naquilo que a polícia não pode oferecer às comunidades, principalmente aquelas que são as maiores vítimas da crescente violência, cedendo, por falta de opções os seus jovens para o crime organizado.

O avanço no número de homicídios, repito o que já disse reiteradamente, não é culpa das polícias, que já não conseguem manter os avanços verificados, por exemplo, em 2015.

Há de se lembrar, mais uma vez, o ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, que conseguia expandir o alcance das suas avaliações: sem os outros serviços essenciais do Estado nas comunidades mais pobres, as ocupações, as ações policiais, tudo isso terá valido muito pouco.

Que fique claro: não é cruzar os braços, muito contrário.

Mas responder a algumas perguntas e, a partir delas, levar o Estado (União, governo estaduais e prefeituras) a iniciativas estratégicas, é um passo do qual não podemos abrir mão.

Eis algumas das indagações:

– Por que estas facções se estabelecem sempre em comunidades carentes e desassistidas?

– Por que nossas crianças e adolescentes são mais vulneráveis ao chamado das tais facções?

– O que oferecemos – poder público e sociedade – aos que matam e morrem na tragédia cotidiana das grandes cidades (principalmente)?

O coronel Lima Júnior não falou sobre isso e, ao que eu sei, não foi perguntado.

E talvez não fosse mesmo o caso.

Mas a “guerra de facções”, que de fato existe, é o que está à vista de todos. O gestor público, principalmente em tempos de crise, tem de enxergar além do senso comum.


Fonte: tnh1

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