20/03/2017 08:14 por Redação

“O povo alagoano nunca pagou tanto imposto como na Era Renan Filho”, diz Toledo

Deputado estadual critica carga tributária imposta pelo governo de Alagoas aos contribuintes

Nesta semana, o CadaMinuto Press conversou com o deputado estadual Bruno Toledo (PROS). O parlamentar tem se destacado na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas por conta de posicionamentos polêmicos e de críticas ao Executivo estadual. Toledo tem defendido uma redução da máquina pública e combatido projetos de lei que possuem a filosofia do “Estado-babá”.

Com posicionamentos mais liberais, Toledo já propôs o retorno da venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol de maneira regulada, combateu doutrinação nas escolas, brigou por redução de impostos na máquina pública, dentre outras bandeiras que não são competência do parlamento estadual, como o armamento civil.

Em meio aos temas, Bruno Toledo ainda se candidatou à presidência da Casa no início deste ano legislativo e quase ganha. Há consequências disto. São estes os pontos do bate-papo com Bruno Toledo. Confira.

No início da legislatura, o senhor quase se elege presidente da Casa de Tavares Bastos. Todavia, houve tensões de bastidores e conflitos foram expostos envolvendo parlamentares. Passado este momento, como você avalia hoje a situação política da Casa. Ainda é de turbulência? Há arestas? O que mudou para o senhor?

Em um primeiro momento, eu enxergo conseqüências positivas. A preocupação com o respeito e o respaldo que o grupo depositou em meu nome, eu tenho tentando honrar isto de todas as formas. Isto tem sido presente nas discussões para a formação das comissões, na condução da Casa. Foi montado um bloco de nove parlamentares com a liderança do deputado estadual Francisco Tenório (PMN). Neste bloco, eu tenho buscado de todas as formas trabalhar nas comissões as matérias que são importantes para o Estado de Alagoas. Então, não vejo conseqüências negativas nem em um segundo momento. Fala-se em perseguições em relação ao meu nome, por conta da candidatura, como a retirada da indicação para o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fcoep), mas eu não posso comentar com base em informações de bastidores das quais não tenho conhecimento pleno. A relação com o presidente da Casa (Luiz Dantas do PMDB), que era o que poderia ter se desgastado, eu acredito que permanece boa e a disputa ficou no âmbito eleitoral. O respeito continua o mesmo. Acredito que permanecerá desta forma.

Recentemente, o parlamento estadual se envolveu em mais uma polêmica: a auditoria da folha dos servidores da Casa. Foi contratada a auditoria, houve promessa de divulgação, mas o parlamento passou a esconder o resultado. Como o senhor analisa isto?

Isto é inaceitável. Tem que divulgar. É inaceitável que algo pago pela sociedade, com os impostos da sociedade, não se torne público. A despesa que se teve com a auditoria é um exemplo claro do que nós não queremos para o parlamento: gastos sem transparências. Eu me sinto co-responsável por ser parlamentar. É uma despesa que foi feita com o duodécimo da Assembleia Legislativa e é preciso que ela apresente o resultado. Eu, como parlamentar, vou solicitar formalmente à Mesa Diretora o resultado final desta auditoria. O Ministério Público também dito que vai se posicionar sobre isto. Este tem sido o meu posicionamento na Casa: R$ 1 de impostos que seja gasto no parlamento precisa ser colocado de forma transparente. Infelizmente, a Assembleia ainda falha neste sentido.

Como o senhor analisa a declaração do presidente da Casa de Tavares Bastos, Luiz Dantas (PMDB), quando comentou que as irregularidades detectadas por esta auditoria atingem quase todos os servidores e que se medidas fossem tomadas não ficaria ninguém do funcionalismo?

Eu acredito que o presidente foi muito infeliz nesta fala. Foi uma profunda infelicidade. Não quero acreditar que isto represente a verdade. A Assembleia Legislativa tem em ordem de 600 funcionários, não posso afirmar tal número com precisão. Mas sabemos que uma parte disto não aparece na Casa, não trabalha. Mas esta parte não pode representar o todo, pois há aquele servidor que trabalha. Temos excelentes quadros no parlamento estadual que não podem ser penalizados por conta de quem é irregular. Não podemos criminalizar, generalizar, e colocar nesta conta todos os servidores que se dedicam no parlamento estadual, prestando um bom serviço e dando a sua força de trabalho. Essa generalização feita é desumano, desleal, desrespeitoso, para estes servidores que estão prestando o serviço. Foi um momento de infelicidade do presidente. Agora, a Casa tem problemas e imoralidades que precisam ser enfrentadas. Mas não podemos colocar isto na conta dos servidores, pois não seria justo. Não é verdadeiro.

Ainda falando de Assembleia Legislativa, nos bastidores se fala de um desentendimento entre o Legislativo e o Executivo. Nesta relação Executivo-Legislativo, qual a posição do senhor: situação ou oposição?

Eu vou continuar com a mesma independência que eu imprimi no meu primeiro dia de mandato. Eu não quero nenhum laço que me prenda e me faça fugir do que acredito, das minhas convicções. Não quero nenhum tipo de relação com o governo que me impeça de exercer o meu mandato na plenitude. Vou pagar um preço por isso? Vou. Mas fui eleito pelo que acredito e quero defender o que acredito. Então se isso é visto de forma equivocada pelo governo do Estado como “oposição”, que seja. Isso não me importa. Eu não estou preocupado com o que pensa o Executivo. Eu continuarei exercendo o meu mandato pontuando pelo que sempre pontuei: manifestando-me de forma critica e até dura quando eu enxergar o que vejo como errado e elogiando no que enxergar de positivo. É o que tenho feito.

E como o senhor observa a relação do governo do Estado com a Assembleia hoje?

Em relação aos colegas, creio que a tendência é melhorar muito a relação da bancada com o Executivo. O governo era pautado por uma grande mentira. Os seus interlocutores vendiam o que não tinham, que era a harmonia da Casa, a interlocução com os demais pares. Os interlocutores indicados pelo governo eram os piores possíveis para a Casa. Nesse novo perfil surgiram as verdadeiras lideranças. O governo não foi inteligente ao ponto de identificar quem de fato era liderança na Casa de Tavares Bastos. A relação só piora agora se o governo quiser. Se o Executivo tiver o mínimo de sensibilidade vai tornar o dia-a-dia da Casa mais harmônico do que o passado.

Qual avaliação que o senhor faz do governo Renan Filho (PMDB)?

Eu acho que o governo evoluiu em muitas áreas. O governador utilizou uma máxima maquiavélica de que o mal tem que ser feito todo de uma vez e depois você segue com as boas ações. Isto foi feito quando se aumentou impostos em Alagoas repassando a conta da crise para o contribuinte. Foi tudo de uma hora só. Isto foi feito com muita sabedoria por parte do governo. O povo alagoano nunca pagou tanto imposto como na Era Renan Filho. Houve uma acomodação por parte da sociedade, que aceitou isto. Deu um voto de confiança ao governo Renan Filho. É impressionante a competência do secretário da Fazenda, George Santoro, que mexeu no bolso da população. Agora, é um governo que avançou em algumas áreas, como segurança. Mas, eu não enxergo que é nesta filosofia de governo que melhore o todo. Eu defendo a redução do Estado para que o povo não pague a conta. É preciso reduzir a máquina. Precisamos de menos Estado e mais liberdade econômica, incentivar o empreendedorismo e a diversidade econômica. Reconheço avanços, mas discordo da forma como ele dá dinamismo à gestão.

O senhor deixou o ninho tucano e passou a comandar um partido em Alagoas: o PROS. Isto o coloca de forma diferente no cenário para 2018. Afinal, você conduz uma sigla para fechar aliança e coligações. Nas eleições passadas o senhor apoiou o prefeito Rui Palmeira (PSDB) na disputa pela Prefeitura de Maceió. Em 2018, o PROS seguirá aliado dos tucanos?

Eu ganhei a missão de presidir o PROS no ano passado. Já próximo do processo eleitoral. Nós não tivemos a possibilidade de expandir como queríamos naquele momento. Mas, o PROS vem crescendo em Alagoas e se fortalecendo. Isto tem ocorrido de forma muito rápida. Temos o apoio de vários nomes fortes para o partido, como o ex-deputado federal Alexandre Toledo, o ex-superintendente da Polícia Federal, José Pinto de Luna, nós tivemos a candidatura do Beto da Farmácia, que teve mais de cinco mil votos. Teve mais voto do que vereador que foi eleito. Então, o PROS mostrou sua força e vem crescendo com nomes que são respeitados na sociedade. O nosso objetivo é o crescimento para 2018. Então, discutimos candidaturas fortes para a proporcional e queremos discutir a possibilidade do PROS também participar com nomes na disputa majoritária. Temos nomes para isto. O PROS quer protagonizar candidaturas majoritárias. Claro que não podemos falar com antecedência que teremos estes candidatos, pois há uma discussão política. Porém, sabemos que temos nomes e queremos um projeto para Alagoas.


Fonte: cadaminuto.com.br

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