20/03/2017 19:25 por BÁRBARA NASCIMENTO

Ministro diz que ‘reza’ para que não haja embargos à carne brasileira

Blairo Maggi, da Agricultura, espera que bloqueio em porto da China seja suspenso

BRASÍLIA - Ao menos 30 países e a União Europeia receberam produtos dos 21 frigoríficos que estão sob suspeita na Operação Carne Fraca, segundo lista divulgada pelo Ministério da Agricultura. Em entrevista nesta segunda-feira, o ministro Blairo Maggi, foi taxativo ao afirmar que, caso esses mercados resolvam embargar a carne brasileira, o resultado seria “um desastre” e disse que torce e reza para que os países não suspendam as exportações.

— Com toda certeza seria um desastre. A China é um grande importador nosso, a comunidade europeia, além de ser o nosso segundo ponto de exportação é também o nosso cartão de visitas. Quem vende para a Europa, vende para muitos países que muitas vezes nem pedem fiscalização nossa. Eu torço, eu rezo, eu penso, eu trabalho para que isso não venha a acontecer.

Segundo Maggi, se o país sofrer embargos, pode demorar anos para revertê-los. Ele lembrou que, após a febre aftosa, o país chegou a ficar sem exportar para alguns países por três anos e disse estar “preocupadíssimo” com a situação:

— Minha preocupação nesse momento é com os mercados, tanto interno quanto externo. A gente tem mais controle no mercado interno, podemos fazer alterações necessárias para proteção dos nossos consumidores. No mercado externo nós temos que correr porque nós não podemos permitir o fechamento. Uma vez que haja o fechamento de um mercado, para reabrir serão muitos anos de trabalho.

Ele confirmou que já recebeu comunicados da China, União Europeia, Egito e Chile pedindo explicações e já com as primeiras providências. A China foi o país que tomou a decisão mais drástica e paralisou o desembaraço de cargas brasileiras que estão no porto. O ministro disse esperar que a decisão seja revertida após uma reunião na noite desta segunda-feira.

Maggi explicou que a União Europeia já comunicou o Brasil que só suspenderá as importações dos 21 frigoríficos sob investigação e não de todos os produtos brasileiros. O governo tem tratado a comunidade europeia com especial atenção. Segundo o ministro, a expectativa é que, com a definição na Europa, o país comece “a clarear mais esse assunto do que poderá acontecer com o mercado brasileiro aí fora”. Preventivamente, o país não está liberando certificados de exportações de quatro frigoríficos para a Europa.

A Coreia do Sul suspendeu apenas compras da BRF. Em relação ao Chile, o ministro disse que ainda não tem a dimensão do comunicado e que não entendeu se o país suspendeu todo o mercado ou apenas as compras dos 21 frigoríficos:

— Qualquer país que criar qualquer embaraço, dentro das 21 plantas, está absolutamente correto. Nós teríamos que ter o mesmo procedimento.

Por ora, os 21 frigoríficos não estão exportando, uma estratégia do país para conter a reação externa. Internamente, no entanto, o consumo não foi proibido, com exceção de três frigoríficos que estão interditados. Mesmo assim, essas duas dezenas de fábricas estão sob investigação do ministério, que deverá ser concluída em três semanas. O ministro garantiu que não há riscos à saúde brasileira no consumo dessas carnes.

— Temos a garantia que nosso sistema é forte. Eu não posso simplesmente acabar com a cadeia produtiva por uma suspensão. Se olharem nos documentos porque (o frigorífico) está sob suspeita, nenhum está sob suspeita por adulteração de produtos, são problemas de relacionamento de fiscais com donos de frigoríficos. Não dá para dizer que a suspeição é sobre a qualidade do produto.

EXONERAÇÕES

O ministro disse que vai intervir com mais força nas superintendências do ministério da Agricultura no Paraná e em Goiás. Os superintendentes já foram exonerados e novos nomes, indicados por Maggi, irão assumir. A ideia é indicar nomes “neutros”, fora da convivência das superintendências.

— Eu vou indicar, vou nomear algumas pessoas para esses dois postos que não sejam do dia a dia dessas superintendências, justamente para poder ter uma pessoa neutra, que possa olhar para os processos, se há brigas políticas dentro das próprias superintendências. A ideia é fazer uma intervenção.

Ele voltou a criticar a Polícia Federal. Ontem, o ministro já havia dito que houve um problema na narrativa da PF, que incitou “fantasias”. Hoje, ele disse que a polícia terá todo o apoio do ministério na investigação, mas que é importante que eles tenham embasamento técnico para não divulgarem um discurso “alarmista”.

—O que nós queremos é que a PF, ao fazer as investigações, tenha conhecimento técnico no que se refere a alguns termos e a possibilidade de utilização de produto A, B ou C dentro dos produtos. E que não venham a público com coisas alarmistas como foi feito na última apresentação. Mas nós não vamos nos opor ao que a Polícia Federal está fazendo.


Fonte: OGlobo.com

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