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20.03.2017 - 07:42   por BÁRBARA NASCIMENTO / CATARINA ALENCASTRO

Governo promete rigor na fiscalização em frigoríficos

Ministro diz que forma como Polícia Federal divulgou operação gerou “fantasias”

BRASÍLIA - Dois dias depois de deflagrada a Operação Carne Fraca, na qual a Polícia Federal revelou um esquema de pagamento de propinas a fiscais agropecuários para liberação de carnes impróprias, o governo montou uma ofensiva para tentar conter os efeitos do escândalo sobre o mercado internacional e o consumidor interno. Após uma série de reuniões no Palácio do Planalto, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, classificou como exagerada a narrativa da Polícia Federal, o que, segundo ele, gerou “fantasias”. No entanto, ele anunciou um aperto na fiscalização de 21 frigoríficos suspeitos e prometeu identificar os lotes vendidos por essas unidades.

Seção de carnes em mercado no RioOperação Carne Fraca: o que o consumidor precisa saber
O governo adotou o discurso de que o problema foi inflado e que está, na verdade, restrito a uma parte muito pequena da cadeia produtiva. A preocupação é que um esclarecimento sobre o real tamanho do problema seja disseminado dentro e fora do país a fim de evitar uma crise. O Brasil responde por 7% do mercado mundial de alimentos. E no ano passado, as exportações de frango e carne bovina somaram US$ 10,3 bilhões.

— Tenho preocupação. O Brasil é um grande exportador de alimentos. Uma atuação forte de países impedindo o recebimento dessas mercadorias significa uma crise muito grande, significa uma parada dos processos e a gente teria grandes dificuldades para colocar novamente isso nos trilhos — disse Blairo.

Lista de lotes suspeitos sai segunda-feira

O subsecretário-geral de Assuntos Econômicos do Itamaraty, embaixador Marcos Galvão, disse que até o momento nenhum país solicitou embargo à carne brasileira. China e União Europeia, no entanto, fizeram pedidos formais de informação ao governo. O Ministério da Agricultura prometeu divulgar nesta segunda-feira uma lista de quais países receberam esses produtos e quais foram os lotes supostamente comprometidos.

Em seu discurso para os embaixadores, Temer fez questão de quantificar a questão, afirmando que, das 4.837 unidades frigoríficas que o país tem, a suspeita recai sobre apenas duas dezenas delas. Ele também informou que o governo decidiu acelerar o processo de auditoria nos estabelecimentos citados na investigação da PF. Das 21 unidades, três foram suspensas. As demais foram colocadas sob regime especial de fiscalização, a ser conduzida por força tarefa específica do Ministério da Agricultura.

— O que está sendo investigado não é o sistema de defesa agropecuária brasileira, mas alguns poucos desvios de conduta, de poucos funcionários, em algumas poucas, pouquíssimas empresas — pontuou.

A maior parte dos parceiros comerciais importantes para o Brasil estava entre os 33 países representados na reunião com Temer, como China, Egito, Rússia, Arábia Saudita e Japão. O presidente explicou, que desses 21 frigoríficos investigados, apenas seis exportaram carne nos últimos 60 dias. O presidente afirmou ainda que, em 2016, foram expedidas 853 mil remessas de origem animal do Brasil para o exterior e que somente 184 foram consideradas pelos importadores fora da conformidade “muitas vezes por causa de temas não sanitários, como rotulagem e problemas de certificado”. Ele disse que o padrão sanitário brasileiro é de “excelência” e reiterou que, além da vigilância nacional, o produto exportado passa por inspeção ao chegar no país comprador. O Brasil exporta para mais de 150 países.

‘Isso de misturar papelão é idiotice’

O ministro Maggi disse que ninguém “quer passar a mão na cabeça de quem fez coisa errada”:

— Podíamos tomar uma medida mais drástica, de interditar toda as plantas, mas o efeito para a cadeia seria muito grande. Por isso estamos fazendo esse regime especial de fiscalização.

Blairo afirmou que há um problema na narrativa da Polícia Federal, que foi mal interpretada. Segundo ele, é uma “idiotice” acreditar que as empresas, que investiram milhões para se consolidar no mercado externo, tenham misturado papelão à carne. De acordo com o ministro, a forma como a operação foi divulgada ensejou “fantasias”.

— Isso de misturar papelão na carne é uma insanidade, uma idiotice. As empresas investiram milhões de dólares, demoram mais de 10 anos para consolidar mercado. E vão misturar papelão na carne? Pelo amor de Deus. A narrativa nos leva a criar fantasia. A partir de uma fala, as redes sociais, a mídia, cada um fala uma coisa.

Blairo disse ainda que a utilização de ácido ascórbico e o uso de cabeça de porco são permitidos no regulamento, desde que respeitem determinadas porcentagens. Maggi disse que a PF explicou que não consultou o ministério sobre questões técnicas porque funcionários da pasta estavam sob investigação. Mas o ministro disse que espera que a partir de agora a investigação tome “outro rumo”, aliando a apuração dos fatos com dados técnicos.


Fonte: OGlobo.com

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