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18.03.2017 - 09:45   por RAFAEL NASCIMENTO

Cariocas lotam postos para tomar vacina contra febre amarela

Antes mesmo de o dia clarear, filas se formaram em frente aos portões de unidades das zonas Norte e Sul

RIO — Nem o tempo chuvoso fez com que cariocas deixassem de procurar postos de saúde do Rio para receber a vacina contra a febre amarela, neste sábado. Antes mesmo de o dia clarear, filas se formaram em frente aos portões, ainda fechados, de unidades das zonas Norte e Sul do município. Segundo quem estava nesses locais, o esforço é necessário para tentar adquirir uma senha, normalmente distribuídas no início da manhã, e conseguir a aplicação da dose de imunização contra a doença.

A procura, na visão das pessoas que formavam as filas, aumentou devido ao fato da confirmação da primeira morte no estado em decorrência da febre amarela, em Casimiro de Abreu, na Baixada Litorânea. Além disso, a informação de macacos encontrados mortos, também vítimas da doença aumentou ainda mais o medo da população. Durante esta madrugada e início da manhã, para tentar driblar o longo tempo de espera, valia tudo: desde cadeiras de praia até um cafezinho para espantar o frio, decorrente da queda de temperatura, além, é claro, do bate-papo na fila.

No Engenho de Dentro, o primeiro integrante em frente ao posto de saúde Milton Fontes Magarão chegou ao local por volta da 1h. Pouco tempo depois, outros se juntaram a ele. Por volta das 4h30m, cerca de oito pessoas já se abrigavam embaixo de uma árvore, na tentativa de se proteger da chuva.

— Vim equipada com café, água e até algumas esfirras. Só saio daqui depois que tomar a vacina. Sou babá, trabalhei e, depois, vim para cá — afirmou Rejane Maciel, de 39 anos, moradora do bairro de Piedade, que acrescentou. — Viemos tomar a vacina, mas é um risco ficar aqui na rua esperando, costuma ter assaltos por aqui. Cheguei por volta das 3h30m.

Cerca de trinta minutos antes de Rejane chegar, o taxista Ruan Madeira aproveitou o único dia que teria disponível para receber a vacina. Morador do Rocha, ele disse que sua mulher e seu filho chegariam ao local posteriormente para pegarem uma senha e também serem vacinados.

— Vim cedo porque hoje é o único dia que tenho folga para poder aguardar na fila. Fico preocupado porque aqui eles só estão distribuindo 50 senhas. Minha esposa chegou ontem por volta das 8h, mas ela não imaginava que estaria cheio assim. Não pensávamos que a procura estava tão grande — argumentou ele.

Em outro ponto da Zona Norte, na Tijuca, a situação não era muito diferente. Por volta das 5h da manhã, cerca de trinta pessoas já formavam uma fila na porta do posto de saúde Heitor Beltrão. No local, uma cena chamava a atenção: aguardando para a distribuição de senhas junto com os pais, as gêmeas Luisa e Isabela Gambati, de nove anos, aguardavam com seus guarda-chuvas coloridas. A primeira estava compenetrada, escrevendo em um caderno, enquanto, ao lado, a irmã lia um livro.

— Não estou com medo da vacina. Agora estou escrevendo um livro. Uma história sobre um ônibus que perdeu o rumo e não encontrou o caminho de volta, com várias crianças — disse a pequena aspirante a escritora Luisa.

A mãe das meninas, Ana Paula Gambati, que estava acompanhada do marido, disse que chegou ao local por volta das 4h30m com a família.

— Estava psicologicamente preparada para a fila. Estamos aqui mais por causa das meninas. Elas estudam na região do alto da Boa Vista e lá tem bastante área de mata — explicou.

A chuva não espantou moradores da região da Gávea, na Zona Sul da cidade. Por lá, por volta das 5h20m, cerca de 20 pessoas já aguardavam na fila na porta do posto Píndaro Carvalho Rodrigues. Uma delas era o dentista Nassim Spritzer, de 58 anos. Morador do Leblon, ele contou que essa era a segunda tentativa de receber a dose.

— Ontem eu vim por volta das 9h. A fila devia ter umas 200 pessoas. O primeiro para ser atendido, se eu não me engano, pegou a senha às 7h. A procura está muito grande. Vou viajar no dia 2 (de abril) para a Argentina e o prazo (para tomar a vacina antes do embarque) limite para fazer a viagem são de dez dias. Então, se eu não correr pode não dar tempo — afirmou ele.

Em Copacabana, por volta das 6h, mais de 70 pessoas já esperavam em frente à unidade João Barros Barreto. Com viagem marcada para Belém daqui a 15 dias, o professor Flávio Henrique Louzeiro, de 45 anos, que estava acompanhado da esposa, Janaína Gentili, de 44, resolveu garantir a imunização antes do embarque do casal.

— Ontem foram distribuídas 200 senhas para o turno da tarde. Hoje, como é sábado, o posto só funciona em um turno. Chegamos por volta das 4h30m — disse ele, que mora no bairro.

No posto do Catete, também na Zona Sul, cerca de 100 pessoas já aguardavam na fila por volta das 6h30m. A diarista Fátima Felipe de Sousa, de 50 anos, contou que para pegar uma senha para a filha se vacinar chegou ao local às 3h20m.

— Cheguei cedo para guardar o lugar dela. Eu me vacinei ontem. Na verdade, os macacos estão morrendo e os mosquitos estão por ai. Antes de que aconteça alguma coisa com a gente, é melhor se prevenir. Não podemos esperar mais gente morrer ou adoecer. O negócio é todo mundo ficar imune — disse ela.


Fonte: OGlobo.com

Tags: cariocas lotam postos para tomar vacina contra febre amarela

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