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16.03.2017 - 23:18   por Gabriela Valente / Simone Iglessias / Eduardo Barretto / Geralda Doca

Após 22 meses sem gerar emprego, país abre 35 mil vagas com carteira

Dados de fevereiro do Caged foram anunciados em cerimônia no Palácio do Planalto

BRASÍLIA - Surpreendido pela reação do mercado de trabalho, o governo organizou rapidamente uma cerimônia para anunciar que o Brasil voltou a gerar emprego após 22 meses de queda. Foram abertos 35.612 postos formais de trabalho em fevereiro, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Segundo fontes do Palácio do Planalto, um resultado positivo era esperado apenas para o segundo semestre.

— Venho dar aqui, penso, boas novas. Vocês sabem que a economia brasileira volta a crescer e os sinais deste fato são cada dia mais claros. Em fevereiro, o número de empregos formais foi de 35.612 vagas. É um começo, depois de 22 meses de números negativos — anunciou Temer.

O dado é considerado emblemático porque em fevereiro do ano passado, foram fechadas 104.582 vagas com carteira assinada. Esse tinha sido o pior resultado desde quando o Ministério do Trabalhador passou a registrar os dados em 1992.

Por isso, os auxiliares do presidente Michel Temer reorganizaram a agenda do chefe para incluir uma cerimônia inédita para o anúncio dos números do Caged. Normalmente, a divulgação é feita numa entrevista coletiva no ministério.

— É importante essa notícia porque eu penso que são 35 mil brasileiros que têm, sem a oportunidade de trabalho, uma vida indigna — disse o presidente Temer que admitiu que o número não é tão alto:

— É preciso começar.

Michel Temer lembrou que os dados do Caged ainda não têm os efeitos dos resgates do dinheiro das contas inativas do FGTS.

MERCADO COMEÇA A REAGIR, DIZ ESPECIALISTA

O resultado positivo, apesar do Carnaval, surpreendeu também especialistas da área. O analista de mercado de trabalho Rodolfo Torelly lembrou que o mercado esperava uma reversão somente a partir do segundo trimestre.

O principal destaque, disse, foi o setor de serviços, que gerou 50,6 mil empregos, puxado pelo ramo de serviços, que abriu 35,4 mil vagas.

— Este movimento é natural neste período mais aconteceu de forma mais positiva — disse.

Os setores da administração pública e agricultura também somaram novas vagas, acompanhadas do tímido desempenho da Indústria, mas que gera emprego pelo segundo mês consecutivo. Já comércio e construção civil perderam empregos.

— O desempenho deverá impulsionar a dinâmica do mercado de trabalho. Ainda poderão ocorrer alguns resultados mensais negativos, mais seguramente o mercado de trabalho começa a reagir efetivamente aos sinais da economia nacional — observou Torelly.

A tarde desta quinta-feira foi, para Temer, momento de fazer um balanço positivo do que chamou de “boas novas” na área econômica. Além dos dados do Caged, o presidente citou a melhora da perspectiva da nota de crédito do Brasil pela agência de risco Moody´s e o “sucesso” das concessões dos aeroportos de Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza. A decisão da agência de risco aumenta a chance de que o país volte a ter o chamado grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador, importante para atrair investidores internacionais.

— No dia de ontem, a agência Moody´s tirou de negativo para estável (a perspectiva da nota brasileira). Os pontos negativos estavam em torno de 570, o que nos tirou o grau de investimento. Agora, ficou abaixo de 300 pontos e, em pouco tempo, provavelmente, se atinja pontuação que nos faça retornar ao grau de investimento — disse o presidente. — São essas notícias que eu queria dizer pessoalmente. São notícias que incentivam o governo e incentivam a economia brasileira.

PAÍS VIVE 'INSTABILIDADE POLÍTICA E SOCIAL', DIZ TEMER

Sobre os leilões dos quatro aeroportos, Temer observou que até a semana passada, “alardeava-se” que poderiam sequer ocorrer por falta de interessados. No entanto, ressaltou, as concessões tiveram resultado “exitoso”.

O peemedebista, ao defender a aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso Nacional, voltou a dizer que deve haver mudanças na proposta, que chamou de "observações".

— É claro que, quando se fala em reforma da Previdência, é claro que há observações, que serão examinadas pelo governo — declarou em breve pronunciamento. Ao mencionar a crise política, falou somente que o país vive "instabilidade política e social".

Temer não respondeu se ficava constrangido com seis ministros do governo implicados na lista de Janot. Na última terça-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma lista com pedidos de inquérito contra políticos, baseada em 78 delações de ex-executivos da Odebrecht.


Fonte: OGlobo.com

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