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04.03.2017 - 14:09   por Por Raul Rodrigues

Até parece ironia, mas quanto pior o porto de Penedo pior a cidade!

Se o rio São Francisco não suportou a degradação do homem ribeirinho, quanto mais Penedo aos prefeitos visitantes.

imagens antigas da bira do rio

Trata-se de um raciocínio lógico temporal, mas os fatos também comprovam tal comparação entre as fotos e os fatos do porto de Penedo.

Quando o porto era repleto de navios e canoas de tolda, lanchas de médios e grandes portes, de chatas e canos de pesaria que traziam o pescado para venda na banca do peixe, Penedo vivia a respirar os ares da burguesia com as duas agências bancárias públicas – Banco do Brasil e Caixa Econômica – cujos números 049 e 058 significam a ordem de inauguração sob o território nacional. Até alfandega aqui existia.

A moda era trazida dos grandes centros – Salvador, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, e até do exterior, Londres e Paris – pelos membros da família Peixoto e Gonçalves, que marcavam as suas presenças não só pelas roupas inconfundíveis como também pelo uso do perfume ímpar. Eram os bons tempos da Penedo que concentrava melhor saúde do interior de Alagoas, e da educação marcante por meio dos resultados nos vestibulares e em concursos públicos.

Até mesmo no futebol com a presença do Sport Club Penedense como Vice-Campeão alagoano da primeira divisão. Foram-se os tempos áureos da Capital do Baixo São Francisco. As águas caudalosas do São Francisco permitiam que todo comércio entre o Sertão e o Agreste passasse por Penedo em função do seu porto. Aqui chegavam as barcaças advindas do mar, continuando a subida das mercadorias depois de fiscalizadas e embarcadas em outras embarcações para chegarem a Piranhas e tomarem o rumo pela via férrea para outras localidades.

Isto permaneceu como o descrito acima até a chegada das rodovias e dos caminhões mais rápidos e desbravadores das regiões intocadas pelo progresso do FNM, da Scania Vabis – primeira carreta a chegar ao Brasil – e depois pela Mercedes Benz.

Aos poucos o rio foi perdendo o volume de água e sua profundidade sendo vista a olho nu, e Penedo começou a murchar economicamente. Ainda nos tempos de Raimundo Marinho recebemos aqui a visita da Corveta Penedo da Marinha do Brasil. Parecia que o destino sabia o que nos aguardava.

Hoje Penedo tem o porto praticamente dependendo da maré e a cidade vive de um comércio tipicamente bairro de Arapiraca, com pontos comerciais explorados em sua grande maioria por pessoas que chegaram a Penedo e aqui ficaram, sendo administrada por políticos de fora, e agora até com secretários das maiores pastas ocupadas por visitantes.

Esta é a nossa pobre realidade.
 


Fonte: correiodopovo-al.com.br

Tags: até parece ironia - mas quanto pior o porto de penedo pior a cidade!

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