Tecnologia para 3D

Daqui a dez anos

Mas ela só deve chegar ao mercado em uma década Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/nova-tecnologia-permite-ver-imagens-3d-em-celulares-tablets-sem-oculos-8036342#ixzz2Pm0Jilm1 © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Inf

07/04/2013 por Alicia Rivera

MADRI - Muito esforço está sendo feito pela ciência e pela tecnologia para conseguir artificialmente algo que nosso organismo faz com aparente facilidade: ver em relevo. O truque natural da visão tridimensional reside na distância (cerca de 6 centímetros) que separa um olho do outro. Assim, ao enxergar uma coisa, cada olho recebe uma imagem ligeiramente diferente, e o cérebro as integra em uma só em 3D. Quando alguém perde a visão de um olho, ou a encobre, vê imagens planas e calcula mal as distâncias. Copiar, ou emular, esse sistema é um desafio que foi vencido, em suas versões mais difundidas, mediante os incômodos óculos que se usam para ver um filme em 3D. Há algumas alternativas, mas com limitações. Daí o impacto do anúncio de uma nova tecnologia de imagem tridimensional sem óculos, baseada em ótica difrativa, que oferece boas perspectivas de utilização em telefones celulares, relógios e tablets. Poderia inclusive chegar a se impor como tecnologia para TV em 3D sem óculos, se superados os desafios tecnológicos.

O líder da equipe que lançou a ideia, o físico David Fattal, explicou o resultado ao apresentar a tecnologia no último número da revista “Nature”: “Se você tem projetada uma imagem do planeta, por exemplo, com o polo norte aparecendo em 3D na tela, ao girar a cabeça em volta, poderia ver qualquer país do globo terrestre”. Em resumo, uma visão tridimensional com diferentes ângulos em todas as direções, sem óculos especiais e podendo até ser de fabricação barata, afirmaram os pesquisadores, do laboratório da Hewlett-Packard em Palo Alto, na Califórnia. “Diferentemente de muitas tecnologias que só permitem paralaxe horizontal, o que significa que você só vê em 3D quando move a cabeça para a esquerda ou para a direita, nós estamos falando de uma tecnologia tridimensional de paralaxe completo”, disse Fattal.

Em uma imagem plana tradicional, em duas dimensões, os dois olhos veem exatamente o mesmo na tela. Para obter o efeito tridimensional das duas imagens distintas que nossos olhos veem, a solução mais usada são os óculos especiais, com opções: algumas polarizam a luz em direções diferentes para formar duas imagens que deem a visão tridimensional, e outras são os tradicionais filtros vermelho e verde, que subtraem uma cor em cada olho formando imagens ligeiramente distintas.

Já existem tecnologias 3D sem óculos, como reconheceu Fattal, mas são complicadas, porque é necessário dirigir a luz de cada pixel da tela emissora de maneira que cheguem padrões de imagem ligeiramente diferentes a um e outro olho. Isso tem o inconveniente de que, para ver o efeito tridimensional, a pessoa não pode se afastar muito do ângulo ótimo de visão. Em todo caso, só se permite explorar a imagem em relevo deslocando-se em uma direção e na direção oposta, não em 360 graus, como oferecido na alternativa dos cientistas da Hewlett-Packard. As limitações dos sistemas atuais reduzem o poder de atração para os consumidores, comenta a revista “Science”, fazendo eco ao avanço apresentado por sua concorrente “Nature”.

Fattal e seus colegas utilizaram técnicas padrão de fabricação de chips para criar uma superfície de elementos óticos (rede de difração) e um sistema de retroalimentação da tela para controlar a direção com que a luz sai de cada pixel. Mediante cristais líquidos, modula-se a luz emitida de cada ponto. O resultado é que os pixels direcionais oferecem diferentes imagens para diferentes ângulos de visão, que o cérebro integra em efeito tridimensional, independentemente do ângulo a partir do qual se olhe a tela quando a pessoa se move ao redor do objeto.

Por enquanto, os pesquisadores da Califórnia oferecem em seu protótipo o efeito tridimensional a partir de 14 zonas de visão diferentes e o exibiram em um vídeo (30 fotogramas por segundo) que capta desenhos em 3D de flores e de uma tartaruga, além do logotipo da empresa. O ângulo máximo de visão, por enquanto, é de 90 graus, e se aprecia a uma distância de até um metro. Mas eles afirmam que podem chegar a 64 zonas de visão, o que proporcionará a essa tecnologia um grande realismo tridimensional ao observador em movimento em torno da imagem. Essa característica seria um atrativo importante para seu uso, por exemplo, em celulares ou tablets, dada a liberdade de perspectiva e de distância que oferece ao usuário.

No entanto, a nova tecnologia ainda é incipiente, e terão que ser resolvidos vários problemas para que ela chegue ao mercado — o que não acontecerá antes de uma década, indicam os especialistas. O sistema de retroiluminação utiliza pixels muito menores do que os dos dispositivos móveis atuais, e será necessário assegurar que não se perca qualidade de imagem, assinalou em um comentário na “Nature” o especialista Neil Dodgson, da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Além disso, acrescenta Dodgson, será preciso desenvolver técnicas de fabricação eficazes para obter produtos robustos e que não falhem. Para nem falar da produção de conteúdos em 3D especialmente para essa nova tecnologia. Para dar o salto para a TV, “os engenheiros terão que desenvolver câmeras que possam captar entre 14 e 64 imagens diferentes para serem emitidas em três dimensões na tela”, observa a “Science”.


Fonte: O Globo/El País

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